Rio, 17 (AE) - A vitória da Imperatriz Leopoldinense do carnaval deste ano causou surpresa - ela não integrava a relação das favoritas -, sobretudo, por duas coincidências: o título chegou depois da prisão do presidente de honra da escola, o contraventor do jogo de bicho Luiz Pacheco Drumond, o "Luizinho Drumond", também presidente da Liga das Escolas de Samba (Liesa) do Grupo Especial. Acusado da morte do bicheiro Abílio da Silva Aleixo, o "Abílio Português", no dia 10 de agosto do ano passado, ele teve a prisão relaxada pelo juiz José Antônio Geraldo, do 2º Tribunal do Júri, na tarde de sexta-feira.
A Liesa é a organizadora da festa no sambódromo e responsável pela escolha dos jurados do carnaval do Rio. Nos bastidores do samba comenta-se que o relaxamento de sua prisão serviu como prova de força - ele seria o substituto do falecido Castor de Andrade - e um aviso de que os bicheiros estariam de volta ao carnaval carioca. No domingo, durante a primeira fase do desfile, Luizinho foi homenageado com um bolo, em plena Marquês de Sapucaí, pelo seus 62 anos.
A escola do bairro de Ramos, na zona norte, última a se apresentar segunda-feira, na segunda etapa do desfile, não chegou a decepcionar, mas ficou longe de apresentar um desfile empolgante que levantasse o público, a exemplo do que aconteceu com a Mocidade Independente de Padre Migue, que sacudiu a Marquês de Sapucaí e saiu sob gritos de "é campeã". Também não teve a mesma performance da Mangueira e a magnífica apresentação de sua comissão de frente, formada por um grupo vestido de personagens que fizeram a história do samba como Cartola, Nelson Cavaquinho, Nel Rosa e outros.
Ibope - Na consulta popular feita pelo Ibope no sambódromo, a Imperatriz obteve 8,2 pontos e ficou em 7º lugar, bem atrás da Mocidade e da Viradouro, primeiras colocadas na pesquisa, com 9.7. A escola obteve apenas uma nota 9,5 em Alegorias e Adereços dada pelo jurado Maurício Salgueiro. Recebeu 10 nos demais quesito, inclusive no enredo "Brasil, mostra a sua cara em Theatrum rerum Naturalium Brasiliae" , da carnavalesca Rosa Magalhães, tema que refere-se aos pintores holandeses e considerado hermético por alguns integrantes da escola .
Mesmo tecnicamente, a escola fez um desfile apenas razoável com alas compactas mas sem muitas novidades. Sua bateria jamais pode se comparar à da Viradouro, Mangueira e Mocidade. O mesmo pode-se dizer da comissão de frente que não teve o mesmo impacto da apresentada pela Mangueira e Mocidade.
A presença de Luizinho Drumond à frente da Imperatriz quando a escola entrou na pista também causou surpresa. Ele manteve-se, durante toda a apresentação, ao lado de pesos-pesados da contravenção carioca, entre os quais Anízio Abrahão David, o Anízio de de Nilópolis, e Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, figuras que reapareceram este ano, depois de condenados a seis anos de prisão pela juize Denise Frossard, em 1993. Eles estão soltos por força de habeas-corpus.

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