Imperador visita o Congresso e o STF
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de junho de 1997
Agência Estado 
José Paulo Lacerda/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
No CongressoO imperador Akihito cumprimenta o presidente da Câmara, Michel Temer, observados pelo presidente do Senado, Antônio Carlos MagalhãesBRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, considerou um motivo de inspiração saber que há uma mulher entre os 15 juízes da Suprema Corte do Japão. O STF nunca teve uma mulher entre os ministros da casa em seus quse 200 anos de história, disse Mello, durante encontro com o imperador Akihito, do Japão, que faz uma visita oficial ao Brasil.
O próprio presidente do STF relatou os principais trechos de sua conversa com o imperador. Segundo ele, foi Akihito que perguntou pela presença feminina na cúpula do Poder Judiciário. O imperador se interessou também pela participação de descendentes de japoneses na área jurídica do Brasil e fez um relato sobre o processo de escolha dos magistrados da Suprema Corte do Japão.
A Constituição japonesa prevê que o primeiro-ministro deve nomear os magistrados e o imperador o presidente da Suprema Corte. Mas todos eles devem ser ratificados numa consulta popular para que possam cumprir integralmente o mandato, que é de dez anos. É um sistema interessante e altamente democrático, afirmou Celso de Mello. Eu disse ao imperador que esse é um fato que merece reflexão.
Antes de visitar o STF, o imperador Akihito foi homenageado com uma sessão solene do Congresso Nacional, que despertou menos interesse dos parlamentares do que a visita, no início de abril, feita pelo presidente francês, Jacques Chirac. Num discurso protocolar, Akihito disse estar satisfeito pelo fato de o Congresso brasileiro estar assumindo um papel cada vez mais importante na vida política e institucional do País.
O imperador foi saudado pelo senador Jáder Barbalho (PMDB-PA) e pelo deputado Antônio Ueno (PFL-PR), que é nissei. Ambos destacaram a presença cultural e econômica do Japão no Brasil, além da importância da imigração japonesa na formação da sociedade brasileira.
No final da sessão, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) cometeu uma gafe ao tratar o imperador por Vossa Excelência, esquecendo-se do cerimonioso Majestade que é dispensado a integrantes de famílias reais. Pouco diplomático, ACM disse também que é importante para o Brasil se aliar a países ricos. Esperamos que eles nos ajudem a diminuir nossa pobreza, afirmou.


