José Paulo Lacerda/Agência Estado
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No CongressoO imperador Akihito cumprimenta o presidente da Câmara, Michel Temer, observados pelo presidente do Senado, Antônio Carlos MagalhãesBRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, considerou um ‘‘motivo de inspiração’’ saber que há uma mulher entre os 15 juízes da Suprema Corte do Japão. ‘‘O STF nunca teve uma mulher entre os ministros da casa em seus quse 200 anos de história’’, disse Mello, durante encontro com o imperador Akihito, do Japão, que faz uma visita oficial ao Brasil.
O próprio presidente do STF relatou os principais trechos de sua conversa com o imperador. Segundo ele, foi Akihito que perguntou pela presença feminina na cúpula do Poder Judiciário. O imperador se interessou também pela participação de descendentes de japoneses na área jurídica do Brasil e fez um relato sobre o processo de escolha dos magistrados da Suprema Corte do Japão.
A Constituição japonesa prevê que o primeiro-ministro deve nomear os magistrados e o imperador o presidente da Suprema Corte. Mas todos eles devem ser ratificados numa consulta popular para que possam cumprir integralmente o mandato, que é de dez anos. ‘‘É um sistema interessante e altamente democrático’’, afirmou Celso de Mello. ‘‘Eu disse ao imperador que esse é um fato que merece reflexão.’’
Antes de visitar o STF, o imperador Akihito foi homenageado com uma sessão solene do Congresso Nacional, que despertou menos interesse dos parlamentares do que a visita, no início de abril, feita pelo presidente francês, Jacques Chirac. Num discurso protocolar, Akihito disse estar satisfeito pelo fato de o Congresso brasileiro estar assumindo um papel cada vez mais importante na vida política e institucional do País.
O imperador foi saudado pelo senador Jáder Barbalho (PMDB-PA) e pelo deputado Antônio Ueno (PFL-PR), que é nissei. Ambos destacaram a presença cultural e econômica do Japão no Brasil, além da importância da imigração japonesa na formação da sociedade brasileira.
No final da sessão, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) cometeu uma gafe ao tratar o imperador por Vossa Excelência, esquecendo-se do cerimonioso Majestade que é dispensado a integrantes de famílias reais. Pouco diplomático, ACM disse também que é importante para o Brasil se aliar a países ricos. ‘‘Esperamos que eles nos ajudem a diminuir nossa pobreza’’, afirmou.

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