Rio, 24 (AE) - Um novo impasse pode prejudicar a privatização das Central Elétricas de Furnas. A Justiça Federal do Rio do Janeiro proibiu a estatal de transferir recursos das aposentadorias de seus funcionários para um novo sistema previdenciário até que Furnas reconheça oficialmente a dívida de R$ 1,2 bilhão junto à Fundação Real Grandeza, responsável pela complementação das aposentadorias da empresa.
A direção de Furnas comunicou hoje que não iria se pronunciar sobre a questão até ser oficialmente informada da decisão da 28ª Vara Federal do Rio de Janeiro. A liminar foi pedida pela Associação dos Aposentados de Furnas (Após-Furnas), que alega que a empresa aportou recursos insuficientes desde 1990 para cobrir as necessidades da fundação. Essa é a terceira liminar impetrada pela entidade desde janeiro deste ano.
As outras duas contribuíram para o cancelamento da assembléia de cisão da estatal em três companhias. A assembléia é parte fundamental do processo de privatização de Furnas.
Em agosto, a Fundação Real Grandeza aceitou a proposta do governo de assumir apenas R$ 874 milhões da dívida do fundo de pensão dos funcionários de Furnas (Fundação Real Grandeza). A dívida reconhecida pela Eletrobrás ficou abaixo do estudo feito pela antiga direção da empresa, que estimava em R$ 1,2 bilhão o déficit atuarial do fundo. Esse era um dos entraves à privatização da empresa.
Entretanto, o presidente da Real Grandeza, Carlos Eduardo da Silva Bessa, não acredita que a medida possa atrapalhar a privatização da companhia. Segundo ele, a questão pode ser solucionada paralelamente ao processo de cisão da estatal. Mas considera um retrocesso a decisão de ser rever a estratégia de Furnas de alterar seu sistema de benefícios previdenciários. No novo sistema seriam criados dois tipos de planos: de contribuição definida, que permite que os empregados e a companhia contribuam em bases iguais para o fundo. E o saldado, que garante os benefícios do sistema antigo. "A discussão sobre o futuro do plano de previdência de Furnas poderia desestimular os investidores interessados em participar da privatização da estatal", explicou.

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