Impasse prossegue enquanto se aproxima o prazo final
Belfast, 30 (AE-AP) - Ao aproximar-se a meia-noite de hoje (30), pelo horário local, prazo final para a formação do Executivo na Irlanda do Norte (Ulster), líderes protestantes e católicos não haviam conseguido superar suas divergências sobre a questão do desarmamento dos grupos extremistas, mas representantes do governo britânico e da República da Irlanda continuavam expressando seu otimismo.
O porta-voz do primeiro-ministro britânico Tony Blair insistia que um acordo ainda poderia ser conseguido, embora nesse mesmo instante dirigentes do Sinn Fein, braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA) e do Partido Unionista do Ulster (UUP) deixavam claros os avanços eram tênues.
"Não acredito que o IRA vá começar a entregar as armas nas próximas duas ou três semanas para facilitar este processo", declarou à imprensa o alto dirigente do Sinn Fein, Pat Doberty.
Já o vice-presidente do UUP, John Taylor, comentou que as perspectivas de uma solução para o impasse ainda hoje "pareciam muito distantes" enquanto o líder do partido e chefe do Executivo provisório do Ulster, David Trimble, repetia que havia chegado "o momento da verdade para o movimento republicano" - numa referência ao Sinn Fein e ao IRA (organizações católicas).
Os protestantes, também chamados unionistas, são maioria na Irlanda do Norte e favoráveis à permanência da província sob domínio britânico. Pelo acordo de paz firmado em abril de 1998, ficou acertada a criação de uma Assembléia regional semi-autônoma e a constituição de um Executivo. Trimble foi nomeado primeiro-ministro, tendo como vice o católico Seamus Mallon.
Para aceitar a inclusão do Sinn Fein no gabinete de governo, no qual tem direito a dois cargos, Trimble impôs como condição o início da deposição de armas por parte do IRA. Os republicanos alegam que o acordo de paz prevê o mês de maio de 2000 para o fim da entrega de armas, sem fixar data para seu início nem vinculá-lo com a formação do Executivo.





