Curitiba - Os empresários do setor da saúde de Curitiba não aceitam arcar com os custos da coleta e destino do lixo hospitalar, como determina a Associação Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na próxima semana, eles devem se reunir com o prefeito Beto Richa (PSDB) e vereadores em busca de uma solução. Segundo o presidente da Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar), José Francisco Schiavon, o setor quer que a prefeitura continue fazendo a coleta e construa uma usina de processamento para os resíduos hospitalares. Eles só aceitam dividir o ônus do serviço com o Executivo, caso a prefeitura reduza impostos. ''Em Maringá, os prestadoers de serviço formaram uma cooperativa para construir a usina. Mas lá a prefeitura deu o terreno, vai financiar a construção e eles não pagam ISS'', disse.
Os empresários reiteraram ontem a posição de que a destinação do lixo não é de responsabilidade dos estabelecimentos de saúde, mas do Poder Público. Alegam que se os hospitais tiverem que pagar pelo serviço terão que repassar os custos para as operadoras de saúde, Sistema Único de Saúde e pacientes.
Em Curitiba e Região Metropolitana cerca de 5 mil estabelecimentos geram 15 toneladas de resíduos por dia. Isso significaria um custo de R$ 22,5 mil por dia em coleta, uma vez que o menor preço proposto à Fehospar, em negociação com as empresas, foi de R$ 1,50 por quilo de lixo coletado. A construção de uma usina com capacidade para processar o lixo, segundo a Federação, custaria cerca de R$ 1,5 milhão.
Schiavon garante que os municípios conseguirão apresentar seus Planos de Gerenciamento do Lixo até junho, prazo determinado pela Anvisa. A exceção é Curitiba e região, cujo prazo acaba em 26 de março.
O secretário de Meio Ambiente de Curitiba, Domingos Caporrino Neto, disse desconhecer o pedido de construção de usina e adiantou que a proposta é inviável. Ele se amparou nas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e da Anvisa para afirmar que o município está impedido de assumir a responsabilidade pela gestão dos resíduos de particulares.
Por enquanto, o que a prefeitura se dispõe é de colocar técnicos à disposição dos estabelecimentos para orientar na elaboração dos planos de gerenciamento de resíduos.
O secretário informou que 63 estabelecimentos de Curitiba a maioria grandes hospitais já apresentaram planos de gestão dos resíduos infectantes, atendendo o termo de ajustamento de conduta, firmado em janeiro do ano passado, com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a Secretaria de Meio Ambiente.
Os resíduos gerados nas unidades de saúde administradas pelo município estão sendo coletados e tratados pela Cavo mesma empresa que faz a coleta do lixo doméstico em um contrato emergencial.

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