Impasse entre Chávez e Congresso é amenizado, mas continua sem solução
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quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Steven Gutkin 
Caracas, 03 (AE-AP) - Uma semana após desafiadores parlamentares tentarem uma operação ousada para recuperar suas cadeiras de uma Assembléia Constituinte que estava dispensando o Congresso, o impasse ainda precisa ser solucionado.
Mas o Congresso, controlado pela oposição, recuou do confronto direto com a Assembléia, dominada por partidários do presidente Hugo Chávez. E parece que a verdadeira questão não é se o parlamento desta nação sul-americana sobreviverá, mas como.
Ninguém na Venezuela questiona que a legislatura - ao lado da Suprema Corte e alguns governos locais - está sendo abolida pela "revolução social" de Chávez, que promete instituições novas e mais democráticas.
Mas quando a Assembléia Constituinte fechou efetivamente o Congresso na semana passada antes de aprovar uma nova constituição - e antes de qualquer projeto para novas eleições legislativas -, clamava-se que um golpe de Estado estava se desenhando.
O conflito chegou ao ápice na última sexta-feira, quando ocorreram violentos confrontos nas ruas entre correligionários e oponentes de Chávez, o perigosamente popular ex-líder golpista que chegou ao poder por meio de eleições no começo deste ano prometendo mexer com as instituições do país.
Alarmado por manchetes internacionais alertando sobre uma possível ditadura no terceiro maior exportador de petróleo do mundo, Chávez pediu nesta semana aos constituintes que moderem em suas atitudes e se dediquem à sua proposta original: escrever uma nova constituição para a Venezuela.
Parlamentares e constituintes declararam nesta sexta-feira que negociavam um acordo que permitiria de alguma forma a existência da legislatura enquanto a nova carta magna é escrita. Mas não há informações sobre se essas negociações, paradas até segunda-feira, gerariam frutos.
Os partidários de Chávez conquistaram 121 das 131 cadeiras da Assembléia em eleições nacionais realizadas em 25 de julho. Apesar de a Suprema Corte ter decidido em abril a limitação das tarefas da Assembléia para escrever uma nova constituição, o painel usurpou os poderes do Congresso e da Corte.
Em um aparente esforço para acalmar as tensões, a Assembléia afastou planos para controlar os sindicatos e selecionou governos estaduais e locais. Mesmo assim, é possível que tais medidas sejam adotadas nos próximos dias.
A Guarda Nacional ainda evita que membros do Congresso entrem no prédio do capitólio.
Passando por tudo isso, o apoio a Chávez continua forte. Seus índices de popularidade estão em cerca de 70%. Ontem, 5.000 correligionários do presidente marcharam pelas ruas de Caracas para expressar apoio à "revolução".
O tradicionais partidos políticos do país - acusados de desperdiçar a maior reserva de petróleo do mundo fora do Oriente Médio - sofrem há muito tempo de um colossal problema de imagem. Fora da Venezuela, no entanto, é o acampamento de Chávez que está sendo visto de uma maneira ruim.
A Assembléia Constituinte passou a maior parte desta semana debatendo o assunto. Alguns delegados culparam a imprensa internacional de promover uma campanha caluniosa contra a Venezuela.
Mas Alfredo Pena, ex-chefe do Estado Maior de Chávez e atual membro da Assembléia, pediu moderação a seus colegas, pois o mundo está atento. "Não podemos culpar a imprensa, satanizar a imprensa, como se ela fosse a responsável", disse Pena, um ex-jornalista, à Associated Press.


