Estudantes ocuparam prédio da reitoria na sexta-feira à noite; no domingo se reuniram com o vice-reitor
Estudantes ocuparam prédio da reitoria na sexta-feira à noite; no domingo se reuniram com o vice-reitor | Foto: Fábio Alcover



A situação dos prédios da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ocupados por estudantes desde a semana passada permanece indefinida. A direção da instituição deve apresentar até quarta-feira uma posição sobre as reivindicações dos universitários.

O vice-reitor Ludoviko dos Santos se reuniu com o Comando de Greve Estudantil da UEL na tarde deste domingo (6). "Vamos discutir o assunto em uma reunião hoje (domingo) a noite com a equipe da reitoria e entre terça ou quarta-feira devemos ter uma posição", afirmou.

Os estudante ocuparam a reitoria da UEL na noite de sexta-feira (4). Já estavam ocupados o Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca) e Rádio UEL FM. Na pauta de reivindicações estão a revogação da PEC 55 em tramitação no Senado, que institui teto para os gastos públicos; da MP 746 (reforma do ensino médio) e contra o projeto de lei da "escola sem partido".

Eles também querem a permanência das cotas raciais e sociais, que é renovada a cada cinco anos; a atualização e correção do repasse das verbas estaduais; e a ampliação e mais autonomia da moradia estudantil. "Queremos que a reitoria se posicione publicamente contra a PEC 55. Também queremos que o repasse do orçamento seja feito de forma integral. Só assim poderemos ter cursos de qualidade", disse um dos representantes do Comando de Greve.

Em relação à moradia estudantil, o comando afirmou que os estudantes querem mais autonomia para gerenciar questões diárias da casa. "Temos problemas, por exemplo, de infiltração, de rachadura na caixa d´água. Mas quem mora lá não tem autonomia para resolver", afirmou o representante.

De acordo com o vice-reitor, não havia sido feito pedido de recursos para manutenção da moradia, mas que as reivindicações foram anotadas e serão repassadas ao prefeito do campus para providenciar o conserto. Ele também garantiu que as cotas raciais deverão ser mantidas. "Essa administração é favorável. A primeira validação foi em 2012, o mais difícil foi a implantação, agora trata só de dar prosseguimento", comentou Santos, que reafirmou que as reivindicações serão discutidas pela equipe da reitoria.

VOLTA ÀS AULAS

O retorno às aulas, após encerramento da greve dos servidores e professores, marcado para terça-feira (8) está indefinido nos departamentos ocupados. Segundo Santos, a reitoria vai discutir até quarta-feira como proceder no caso dos alunos que permanecerem em greve. "Vamos ter alunos querendo ter aula e outros não. Vamos deliberar como proceder. Mas a desocupação desses locais serão discutidas com o comando de greve", afirmou Santos.

O Sindicato dos Servidores Técnicos Administrativos da Universidade Estadual de Londrina (Assuel) declarou apoio ao movimento. O Sindicato dos Professores de Ensino Superior de Londrina (Sindiprol/Aduel) decidiu que os docentes terão autonomia para definir se haverá e como serão ministradas as aulas.

CURITIBA

Em Curitiba, o prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi desocupado na manhã de sábado (5). O local havia sido tomado no dia 3. O grupo fechou um acordo com a comissão de negociação da universidade e saiu de forma pacifica.

Pelos termos da desocupação, a UFPR se comprometeu a não responsabilizar ou criminalizar os membros do movimento, com processos administrativos ou infracionais, e a desenvolver uma "narrativa positiva" sobre o episódio. Também aceitou revogar imediatamente a resolução 96/2015, que trata do cancelamento de registro acadêmico resultante de abandono de curso, reprovação por frequência, desempenho insuficiente e ultrapassagem do prazo máximo para integralização curricular.

Está marcada para segunda-feira uma reunião com o grupo para discutir a situação do edifício Dom Pedro II, que também está ocupado e onde funciona a reitoria da Federal. Além deste, outros seis campi da instituição seguem tomados, sendo cinco em Curitiba e um no litoral.

O Ministério da Educação (MEC) cancelou as provas do Enem que seriam realizados na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campi de Campo Mourão e Paranaguá; na Universidade do Centro-Oeste, campi de Guarapuava e Irati; Universidade Federal da Fronteira Sul, em Laranjeiras do Sul e Realeza; e no Colégio de Aplicação Pedagógica da Universidade Estadual de Maringá. Os locais estão ocupados pelos estudantes. (Colaboraram Mariana Franco Ramos e Luís Fernando Wiltemburg)

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