O impasse nas negociações ameaça a votação, hoje, na Câmara, do projeto de lei de gratificações para os professores universitários federais, feita para tentar acabar com a greve, iniciada há mais de 80 dias. O líder do PT na Câmara, Marcelo Déda (SE) disse que se não houver acordo a culpa será da ‘‘intransigência’’ do ministro da Educação, Paulo Renato. ‘‘Será difícil votar sem que o Ministério da Educação apresente propostas também para os servidores e professores de 1º e 2º graus das instituições’’, afirmou.
A Associação Nacional dos Docentes (Andes) rejeita o artigo do projeto que vincula o valor da gratificação ao resultado da avaliação do professor - ponto inegociável para o MEC. ‘‘Todos terão de ceder’’, diz o relator do projeto, deputado José Jorge (PFL-PE). O ministro Paulo Renato defendeu ontem, em encontro com José Jorge, a avaliação da produtividade do professor.
Duas reuniões de líderes dos partidos estão marcadas para hoje na tentativa de fechar um acordo para a votação. Sem acordo, será preciso, em semana de festas juninas, reunir o quórum mínimo de 257 deputados. Depois da reunião com os líderes, o relator apresentará um substitutivo ao projeto de gratificações do governo.
A retirada da avaliação foi uma das três reivindicações apresentadas ao relator ontem pela manhã pela Andes. As duas outras são a inclusão no projeto dos professores de 1º e 2º graus - já descartada pelo relator porque isso exigiria um outro projeto do governo - e a concessão dos mesmos porcentuais da gratificação (variável de 20% a 48% de aumento) para os aposentados, que só recebem 60% dos reajustes para os professores em atividade.

mockup