Londrina - Uma população que não para de crescer e protagonizar graves consequências sociais e econômicas. Essa é uma realidade que grandes centros vêm revelando a cada ano com a demanda de motociclistas. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), até o mês de maio trafegavam mais de 64 mil motos nas ruas de Londrina. Com isso, o tema vem ganhando cada vez mais visibilidade e estudos e pesquisas têm surgido em busca, direta ou indiretamente, da redução dos números e impactos dos acidentes.
A docente de Fisioterapia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Daniela Wosiack da Silva se dedica ao assunto há seis anos. Em sua tese de doutorado "Características e consequências de acidentes de trânsito para motociclistas após um ano do acidente, Londrina (PR)", desenvolvida no programa de pós-graduação em Saúde Coletiva da UEL, Daniela entrevistou e avaliou motociclistas locais (condutores ou garupa), maiores de 18 anos, atendidos pelos serviços de atenção hospitalar (Siate/Samu), no período de 1º de abril de 2010 a 31 de março de 2011.
"Como fisioterapeuta, atendemos muitas vítimas de causa externa, como acidentados de moto com sequela permanente. Com isso, fui observando o impacto na vida dessas pessoas", justifica. Participaram do estudo 242 motociclistas, a maioria do sexo masculino e com idade inferior a 35 anos. Os acidentes envolveram atividades e trajetos relacionados ao trabalho/estudo e o transporte de mercadorias/passageiros. "Durante a coleta de dados, percebemos que é um tema bastante difícil de ser trabalhado porque o sofrimento é muito grande. As consequências a longo prazo, tanto familiares quanto pessoais e sociais, são muito impactantes e duradouras", comenta Daniela.
Dos entrevistados, 44,3% precisaram ser internados devido ao acidente e 2,5%, de atendimento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nos hospitais (no caso, Hospital Universitário e Santa Casa), foram registradas 458 lesões, resultando em uma média de 1,9 lesão por vítima, acometendo principalmente, membros superiores (braços) e inferiores (pernas).
As principais consequências observadas após um ano do acidente de trânsito foram dores constantes residuais, em especial nos braços e pernas, problemas relacionados à mobilidade das articulações e problemas relacionados à força muscular, como perda ou redução.
No dia a dia, do total de entrevistados, 25% relataram dificuldades para levantar e carregar objetos. Também foram citadas as dificuldades para andar (20%) e para atividades de recreação e lazer (14%). "Ainda observamos que mais de 10% apresentam dificuldades para dirigir veículos automotores e na coordenação motora fina das mãos", analisa.

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