São Paulo, 21 (AE) - O impacto do aumento do salário mínimo é muito maior no setor privado do que no público no Estado de São Paulo. O salário mínimo é pago a 1,1 milhão de trabalhadores do setor privado em São Paulo, o que corresponde a 7,9% dos empregados do Estado. Assim, dos 15 milhões de trabalhadores que ganham até um salário mínimo no Brasil, 7,4% estão no Estado mais rico da federação. O número de servidores públicos que ganha até um mínimo, porém, é bem menor, correspondendo a 4,3% do total de 628 mil, ou pouco mais de 26 mil pessoas.
"É um equívoco querer reduzir a discussão sobre o impacto de um reajuste do mínimo ao setor público", disse o professor Márcio Pochman, do Centro de Estudos Sindicais da Unicamp, rejeitando as alegações de que o mínimo já não é uma referência para o setor privado. "No Estado mais rico do Brasil
mais de um milhão de pessoas que trabalham no setor privado ganham o mínimo", ponderou, valendo-se dos números da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domícilios (Pnad), feita em 1998 pelo IBGE.
Segundo a pesquisa, a maioria dos trabalhadores de São Paulo que ganha até um salário mínimo está no setor de prestação de serviços. São 520,7 mil pessoas, correspondendo a 43% do total. Em seguida, com 15,7% estão os trabalhadores do comércio. Depois, pela ordem, a agricultura e a indústria, totalizando 90% do total. Outros setores, incluindo o funcionalismo, respondem pelo resto. As mulheres, com 62,4% do total de 1,1 milhão, formam a maioria dos trabalhadores privados que ganham o mínimo.
Do total de 70 milhões de trabalhadores que formam a População Econômica Ativa (PEA) do País, 15,2 milhões estão no Estado de São Paulo. Destes, 7,9% ganham até um mínimo. A maioria, com 60,4%, ganha de um a cinco mínimos. Entre cinco a dez salários, estão 19,4% e o restante, ou 12,3%, ganham acima de dez mínimos.
A distribuição das faixas salariais dos servidores públicos no Estado de São Paulo é a seguinte: até um mínimo estão 4,3% do total de 628 mil. Entre um a cinco mínimos, 46,1% dos funcionários. Na faixa entre cinco a dez mínimos, estão 30 9% e o restante, ou 18,7%, ganham acima de dez mínimos, segundo informou Pochman.

mockup