Impacto do combustível é menor e IPC registra deflação
Impacto do combustível é menor e IPC registra deflação14/Mar, 15:46 Por Rita Tavares São Paulo, 14 (AE) - O aumento dos combustíveis, autorizado pelo governo a partir do último dia 1º, está pressionando o IPC-Fipe menos que o esperado. Na primeira semana deste mês, a alta da gasolina foi de 4,2% em relação à última semana de fevereiro. No cálculo da primeira quadrissemana, a gasolina teve um aumento de 1,03%, enquanto o álcool caiu 0,5%. Pela projeção do Ministério da Fazenda, a alta nos postos chegaria a 5%. A Fipe imaginou que o impacto fosse maior. O impacto menor do preços dos combustíveis contribuiu para a deflação de 0,15%, apurada pela Fipe na primeira quadrissemana de março, após a deflação de 0,23% no mês de fevereiro. Dos sete ítens pesquisados para compor o IPC, apenas transportes, que inclui gastos com combustíveis, e habitação, que ainda está sob efeito da alta das tarifas de telefone, apresentaram alta nesta quadrissemana. Os preços dos alimentos e do vestuário foram os que mais caíram. Não fosse a alta do telefone, a deflação teria sido de 0,25%. "A primeira impressão é de que o aumento dos combustíveis ficou dentro do que o governo imaginou", disse o coordenador do IPC, Heron do Carmo, ponderando que o preço ainda poderá subir um pouco ao longo deste mês. Mesmo sim, a projeção da Fipe é de que os combustíveis não sejam determinantes para o índice fechado do mês. Segundo Heron, o item alimentação determinará o comportamento do IPC de março, já que o preço dos alimentos tende à estabilização após as quedas expressivas nas últimas quadrissemanas. Quanto mais rapidamente a variação dos preços dos alimentos se aproximar de zero, maior será o IPC de março. Na primeira quadrissemana de março, os alimentos caíram 1,21%, contra recuo de 1,38% em fevereiro. Vários produtos, como carnes bovina e de frango e feijão, ainda têm preços em queda, mas em ritmo menor. Segundo a Fipe, os hortifrutingranjeiros já estão apresentando alguma alta. A Fipe projeta que a inflação da cidade de São Paulo neste primeiro trimestre ficará em 0,44%, levando-se em conta a projeção de 0,10% para março, a alta de 0,57% em janeiro e a deflação de 0,23% no mês passado. Este resultado é mais de 2 pontos percentuais abaixo do apurado no mesmo período de 1999, quando o índice atingiu 2,48%. "É um resultado excelente", ponderou Heron do Carmo, projetando o reinício da alta da inflação para o mês de abril, quando o índice deve oscilar entre 0,3% e 0,4% sob efeito da alta dos alimentos e do vestuário, com o lançamento da nova coleção. Ainda segundo Heron, a inflação no segundo semestre deste ano será menor do que a apurada no mesmo período do ano passado, apesar da deflação apurada nos meses de maio e junho de 99. Mesmo assim, ele mantém a projeção do IPC acumulado para 2000 entre 6% a 6,5%, já que acredita que o governo anunciará mais dois reajustes dos combustíveis até dezembro. Heron prevê um aumento acumulado de 20% para os combustíveis neste ano, com uma autorização de reajuste nas refinarias entre 25% e 27%. "Dá apara acomodar esse reajuste dos combustíveis num IPC de até 6 5%", explicou. O mais provável, de acordo com ele, é o anúncio de um novo reajuste em julho ou agosto, após o reajuste das tarifas públicas. A segunda alta viria no final do ano, mais provavelmente no mês de novembro, quando o IPC acumulado em 12 meses poderá ficar abaixo de 6%, o que representa uma folga em relação à meta fixada com o FMI.





