Londrina- Participantes do debate sobre a construção da Usina Hidrelética (UHE) Mauá, no Rio Tibagi, realizado durante todo o dia de ontem no Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), não chegaram a um acordo sobre os impactos que a obra deverá trazer à região, sobretudo ao meio ambiente local.
O evento mais uma vez colocou em lados opostos da discussão pesquisadores, ambientalistas e representantes da Copel e da Eletrosul, que integram o Consórcio Cruzeiro do Sul, dono da concessão.
Se por um lado as empresas admitem que a usina impactará no ecossistema, por outro, anunciaram que vão recorrer de uma liminar que determinou que elas façam uma avaliação integrada de toda a bacia, fator primordial à obtenção de licença de instalação.
A decisão judicial, emitida há 15 dias pela Justiça Federal, atendeu à ação civil pública ingressada em 1999 pelo Ministério Público Federal contra a instalação da UHE.
A liminar determinou, por exemplo, que o consórcio formado pelas duas estatais de energia realize a avaliação integrada da área, com todos os eventuais danos sócio-ambientais que possam decorrer dela, bem como as medidas compensatórias que serão adotadas antes que a obra comece.
Para o presidente do Consórcio, Sérgio Luiz Lamy, ''essa exigência não se aplica à Usina Mauá. Queremos derrubar a liminar porque uma avaliação dessas pode ser feia depois'', disse, citando que o grupo já apresentou ''o Plano Básico Ambiental''.
Além desse, outro fator defendido tanto por Lamy quanto pelo presidente da Copel, Rubens Ghilardi, é o de que o impacto não será tamanho, como defendem entidades de defesa do meio ambiente. ''Mesmo quando uma pessoa nasce, isso já causa um impacto ambiental. É evidente que Mauá terá seus efeitos de impacto, isso não tem como evitar, mas podemos trabalhar para minimizar isso ao máximo'', defendeu Ghilardi. Para ele, ''as termelétricas, com licenciamento muito menos complicado, poluem muito mais que a energia hidraúlica, que é fonte renovável''.
Já Lamy lembrou dos 70 fatores de impacto cuja análise foi exigida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) como condicionantes à emissão de licença de instalação.
O estudo foi realizado pelo Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), entretanto, apenas 13 das 70 condicionantes foram avaliadas, a pedido do Consórcio. ''Por esse estudo, temos planejadas todas as medidas compensadoras que serão adotadas'', disse Lamy.

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