Impacto da dolarização sobre os títulos do país seria pequeno
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domingo, 04 de abril de 1999
Por Cláudio Gradilone 
Buenos Aires, 05 (AE) - A agência norte-americana de classificação de risco Moodys Investors Service divulgou nesta segunda-feira (05) um relatório avaliando que uma eventual dolarização da Argentina terá pouco impacto sobre a classificação de risco do país.
Embora o relatório admita a eliminação imediata do risco cambial - ou seja, o perigo de o governo argentino não mais conseguir manter a paridade entre o peso e o dólar norte-americano - a Argentina ainda vai continuar sentindo a pressão de um elevado endividamento em dólares e da redução dos preços das commodities, que são muito significativas na pauta de exportações do país.
A Moodys salienta que, seja dolarizando sua economia de modo unilateral ou por meio de um acordo com os Estados Unidos, o Tesouro da Argentina vai perder sua já limitada capacidade de atuar como emprestador de último recurso.
Um eventual acordo monetário com os Estados Unidos, o que as autoridades argentinas vêm defendendo, poderia proporcionar ao país algum mecanismo de compensação no caso de uma crise financeira, além de garantir um compromisso maior das autoridades com o novo regime monetário. A Moodys, porém, considera um acordo desse tipo "altamente improvável".
Em ambos os casos, a Argentina continuará sem poder imprimir dólares, tendo de adquiri-los por meio de superávits no balanço de pagamentos. A Moodys adverte que a avaliação do risco de crédito da Argentina vai continuar a depender, em última instância, do desempenho fiscal e da capacidade de obter um superávit na balança comercial e de atrair capital externo.
Cuba - A Moodys divulgou também hoje uma classificação de risco para os títulos cubanos denominados em moeda estrangeira. Os papéis de longo prazo em moeda estrangeira receberam uma classificação de risco máxima Caa1 e os depósitos bancários denominados em moeda estrangeira receberam uma classificação máxima de Caa2.
Segundo a Moodys, esse teto - baixo - reflete a moratória decretada unilateralmente por Cuba em 1986, que implicou a suspensão dos pagamentos de juros e principal das dívidas externas desde então. A dívida externa cubana está estimada em US$ 10 bilhões, sendo US$ 5 bilhões de principal e US$ 2 bilhões de juros em atraso. Esses valores não consideram as dívidas com a Rússia, estimadas em 21,5 bilhões de rublos.
A agência de classificação de risco avalia que a mais importante mudança na economia cubana desde o colapso do comunismo foi o surgimento do turismo como a principal atividade econômica. O crescimento do fluxo de turistas entre 1990 e 1998 fez com que as receitas em dólar provenientes do turismo crescessem para 40% do total, sendo de US$ 1,8 bilhão em 1998.


