IMÓVEL SOCIAL - Cresce o número de casas e cai a metragem
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sábado, 30 de julho de 2011
Silvana Leão <br>Reportagem Local 
Mais uma vez em sua história, Londrina está vivendo um boom de moradias populares. A cidade, que já ergueu 43.890 unidades com este perfil, tem mais 5.159 sendo construídas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida. Mas diferentemente dos conjuntos de antes que urbanizaram áreas despovoadas, os novos imóveis não são garantia de conforto total para seus moradores. As chamadas habitações de interesse social de agora têm espaço exíguo entre uma e outra, o que pouco privilegia o conforto e privacidade familiar. O alto preço dos terrenos e a necessidade de atender um número cada vez maior de famílias são os principais argumentos para a diminuição no tamanho dos lotes.
No mais recente conjunto habitacional de Londrina, o gigantesco Vista Bela, são visíveis os transtornos causados pela falta de espaço e estrutura. As primeiras das 2,7 mil famílias que ocuparão o novo bairro se viram para acomodar mobília, eletrodomésticos e os próprios sonhos. ''Não cabe quase nada dentro de casa. Tivemos que deixar metade dos móveis onde a gente morava. Era uma casa de madeira, mas era maior e tinha três quartos'', contou Ivanete Aniel, 30 anos, mãe de cinco filhos.
A família de sete pessoas esforça-se para acomodar-se na construção de 36 metros quadrados e dois quartos. Para guardar alguns objetos e as ferramentas do marido, que é pedreiro, foi construído um ''puxado'' com lona nos fundos. E não é o único. As casas vizinhas já usam o mesmo artifício para acomodar os pertences.
A falta de calçadas e muros é outro grande problema para as famílias. Dias atrás, a diarista Renata do Nascimento Firmino lutava contra a sujeira insistente causada pela terra na porta de casa. ''Não para nada limpo. E o pior é que eu trabalho com limpeza'', desculpou-se ela, ao mostrar o quadrado de cerâmica branca que abriga a pia da cozinha todo manchado pelo barro.
Enquanto cada um não consegue viabilizar recursos para erguer muros, os pequenos corredores que dividem uma residência da outra são via de passagem constante dos demais moradores. As crianças são as que mais transitam por entre o aglomerado de pequenas construções, e se aproveitam das falhas resultantes da produção em série para criar brincadeiras. Um dos atrativos tem sido um buraco deixado no fundo da casa de Sandra Regina dos Santos, transformada em piscina improvisada. ''Agora há pouco estava cheio de criança da vizinhança. Morro de medo da minha filha cair aí e se afogar, ou de virar foco de dengue. O pior é que não sei quando vou ter dinheiro para aterrar esse quintal'', disse a dona de casa, com a caçula de um ano e três meses no colo.
O engenheiro civil e urbanista Rudolfo Horner, que foi o primeiro diretor técnico da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), lembra que nos conjuntos do passado erguidos na cidade a metragem mínima de cada lote era, obrigatoriamente, de 250 metros quadrados, o suficiente para que a família pudesse ter horta, jardim ou novos cômodos. ''Mas parâmetros como este, que funcionavam como um limitador do excesso de construções no mesmo terreno, foram sendo eliminados e hoje chegou-se ao absurdo de trabalhar com lotes de 10 por 15 (150 metros quadrados). O ser humano vai sendo menosprezado, diminuído. E quando ele percebe que não é respeitado em suas necessidades básicas, dá o troco, que vem na forma, por exemplo, de depredações'', critica o engenheiro.


