Imóveis condenados podem passar de 50
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domingo, 21 de janeiro de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O número de imóveis construídos sobre minas d'água no Jardim Vale Verde, Zona Leste de Londrina, deve passar de 50. A estimativa é do representante dos moradores Walmir Alexandre Ribeiro, que está tentando organizar as famílias para correr atrás de indenizações, caso as residências tenham que ser desapropriadas ou demolidas.
Com as últimas chuvas fortes, um dreno de esgoto clandestino construído pela loteadora do bairro - que começou a comercializar os lotes há mais de duas décadas - estourou e deixou várias casas em condições insalubres. A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, disse que será necessário retirar os moradores e desmanchar as construções, não só pelos transtornos provocados pelo dreno, mas para proteção das nascentes e do Córrego Inhambu, onde o esgoto clandestino estaria desembocando.
Embora estejando convivendo com lama e fezes no quintal, o aposentado Belini Pereira Marques, 64 anos, admitiu preocupação com a possível remoção dos moradores. ''Se me mandarem sair imediatamente, não terei para onde ir. Seria até bom deixar essa casa, desde que paguem outra'', afirmou. Oito pessoas moram no terreno, divididas em duas humildes casas de madeira.
A área que passa sobre as minas é cheia de contrastes. Atrás da casa de Belini, ergue-se o sobrado de alvenaria da auxiliar de enfermagem Elisângela Souza Santos, 26 anos. Ela nem terminou de pagar o imóvel financiado, no valor de R$ 32 mil, e já está apreensiva sobre seu destino. ''Estamos morando em uma área de risco, tenho medo que a casa desabe. Quando comprei, há um ano e meio, o antigo proprietário não falou nada sobre os problemas'', comentou.
Ribeiro contou que muitos moradores não têm o Habite-se das casas e outros sequer possuem a escrituração. O secretário municipal de Meio Ambiente, Gerson da Silva, disse que está fazendo um levantamento junto à Secretaria Municipal de Obras para verificar quantos imóveis tiveram seus projetos aprovados. ''Se constatarmos que correm risco, vamos ter que acionar a Defesa Civil. Nossa primeira preocupação é a segurança dos moradores'', afirmou.
Silva informou que ''num segundo momento'' irá se verificar o número de imóveis construídos sobre nascentes e se fazer a análise hidrológica do local. Embora a prefeitura tenha autorizado o loteamento, para o secretário o ônus de possíveis desapropriações não deve recair sobre o Município. ''Os moradores terão que entrar com ação contra a loteadora. Foi ela quem ganhou com a venda, não é justo que o Município arque com as indenizações'', alegou.
A promotora Solange adiantou, contudo, que prefeitura, loteadora e até os moradores deverão ser alvo de ação por danos ambientais. ''Não sei como alguém pode dizer que não sabia da existência de nascentes naquela área e como autorizaram o loteamento'', criticou. Ela disse que também está aguardando o levantamento da Sema para tomar providências.


