Imortais escolhem quinta presidente da ABL; Montello diz não estar no páreo
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Adriana Ferreira 
Rio, 06 (AE) - Na quinta-feira (9) os imortais escolhem o novo presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), uma eleição cercada de polêmica. Depois de se declarar candidato algumas vezes, o escritor Josué Montello afirma que não está mais no páreo. "Eu nunca fui candidato", afirma. Tarcísio Padilha, então, permanece como o nome que encabeça uma chapa única que tem Carlos Nejar na secretaria-geral, João Ubaldo Ribeiro como primeiro-secretário, Sergio Paulo Rouanet como segundo-secretário e Antônio Olinto na tesouraria.
Há 45 anos na Academia, onde ocupa a cadeira número 29, cujo patrono é Martins Pena, Montello é o segundo imortal mais antigo da casa - o primeiro é Barbosa Lima Sobrinho, eleito há 62 anos. O escritor e jornalista, que ocupou o cargo de presidente de 93 a 95, diz que a sua preocupação, agora, é "arrematar" a sua obra literária. "Eu já dei a minha cota como presidente, o que aliás, custou muito trabalho", diz.De qualquer forma, o estatuto da Academia não prevê prazo para a inscrição de chapas. Se quiser, Montello pode se declarar candidato no dia da eleição.
Sobre a sua candidatura, explica que a idéia surgiu porque três acadêmicos - Alberto Venâncio Filho, Geraldo França de Lima e Evaristo de Moraes Filho - o procuraram para dizer que um grupo de imortais queria o seu nome para a chapa. "Eu só voltaria à presidência da ABL se acontecesse uma catástrofe", diz.
No mês passado, Montello quase provocou uma catástrofe quando disse que o atual presidente da ABL, Arnaldo Niskier, estaria querendo se beneficiar com a criação do Instituto Brasil
entidade que representaria outras instituições. Na época, Niskier se defendeu dizendo que tudo não passava de "futrica" e que Montello estaria interessado em se eleger novamente para o cargo de presidente da instituição.
Depois de uma sessão tensa na Academia para resolver a crise, Montello retirou a sua cadidatura e mudou o discurso. Agora, ele diz que não concordava com a antiga chapa, pois, para ele, "isto tem que ser consensual". O escritor cita, por exemplo, a inclusão do nome de João Ubaldo Ribeiro na lista como algo positivo. "Inicialmente ele estava em uma linha de combate e restrições", diz. "Agora, ele compõe a chapa, assim é que tem que ser", aprova.
Eleito para a cadeira número 2, cujo patrono é álvares de Azevedo, há apenas dois anos, o doutor em Filosofia Tarcísio Padilha, de 71 anos, tem procurado ficar longe das polêmicas. Também não gosta de se pronunciar quando o assunto é eleição. Montello não admitiu o seu voto favorável, mas também não declarou ser contrário. "Apoio toda chapa que seja consensual".


