Rio, 19 (AE) - A descrença na capacidade do governo promover um ajuste fiscal que permita um crescimento sustentável da economia brasileira tomou conta dos empresários e executivos financeiros no País. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) revela que 80% dos 140 pesquisados não acreditam em cortes significativos no orçamento do governo e que 12% não acreditam que o Brasil vai conseguir cumprir as metas fixadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A falta de credibilidade é ainda maior em relação aos estados e municípios, com 95% dos entrevistas descartando um ajuste mais profundo para este ano.
A pesquisa foi realizada no primeiro trimestre com 140 executivos e empresários associados ao Ibef. O cenário traçado para as privatizações também é negativo, com 43% não apostando em novas vendas este ano. As perspectivas para a reforma tributária também são negativas, com 47% dos entrevistados acreditando que o projeto não será votado este ano. Apenas 9% acham que o governo vai conseguir promover grandes alterações com a reforma ainda em 1999.
Moratória - Um dos resultados que mais preocupou o presidente do Ibef, Ney Roberto Ottoni de Britto, foi o número expressivo de entrevistados (42%) que considera a dívida interna impagável. Desse percentual, 63% consideram que o governo pode lançar mão de uma moratória e 12% apostam na volta da inflação como instrumento para diminuir o peso da dívida interna nas contas do governo.
A dívida interna representa atualmente 49% do Produto Interno Brasileiro (PIB). Brito acredita que, se a pesquisa fosse realizada hoje, o percentual de executivos que teriam dúvidas em relação à capacidade de pagamento da dívida seria maior, pois, com a crise na Argentina, o Brasil tem tido problemas para financiar seus papéis no mercado financeiro.
"O grande problema da dívida interna não é o seu tamanho, mas a velocidade com que vem crescendo nos últimos anos", explicou. "Em 94, a dívida estava em US$ 60 bilhões, hoje sá supera os US$ 490 bilhões." Já com relação à dívida externa, 82% descartam qualquer hipótese de moratória.
O compromisso do atual governo com questões macroeconômicas é contestado pela pesquisa. O estudo mostra que 69% acreditam que o posicionamento do presidente nos temas econômicos é conduzido para atender as pressões externas.
PIB - A maior parte (60%) dos entrevistados prevê que a economia brasileira terá um crescimento moderado este ano, com o PIB crescendo entre zero e 2%. Para 2000, a expectativa é de que a economia repita o resultado deste ano.
A inflação não preocupa os entrevista, com 59% prevendo uma taxa menor do que 6% para o próximo ano. Os executivos e empresários esperam que a taxa de câmbio encerre o ano entre R$ 1,70 e R$ 1,80.

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