IMLs no Paraná estão abandonados
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quarta-feira, 09 de março de 2011
Adriana Franco <br> Equipe da Folha 
Curitiba - As unidades do Instituto Médico Legal do Paraná estão sucateadas e a escassez de mão de obra é enorme. De acordo com o diretor-geral do IML do Estado, Porcídio D'Otaviano de Castro Vilani, que assumiu o cargo no dia 1º deste mês, faltam viaturas, médicos legistas, auxiliares de necropsia, pessoal na administração, motoristas e modernização no sistema de informática. Tudo isso tem transformado o atendimento à população em um caos. O Estado conta com 17 unidades de IMLs, para atender 399 municípios.
O pedreiro Iraci Lopes Santana, de 62 anos, foi vítima da situação crítica do IML de Curitiba, que além da capital atende aos 27 municípios da região metropolitana. O filho dele, Milton Lopes Santana, 28, foi encontrado morto no dia 19 de janeiro, três dias depois de ter sido assassinado. O corpo já estava em estado de decomposição. Santana diz que no dia 26 de fevereiro o juiz expediu a liberação do corpo para ser enterrado. O pai, ao chegar ao IML e mostrar o documento, esperou durante horas enquanto os funcionários procuravam seu filho, mas a procura foi em vão. O corpo desapareceu.
O pai comenta que não foi autorizado a entrar na sala onde ficam as câmaras frias. Ele foi obrigado a esperar na porta. ''O cheiro era insuportável, de carne podre. Eles jogaram uns cento e poucos corpos no chão e tentaram encontrar o meu filho. Depois tiraram esses e colocaram mais uns outros 20 e nada. Mesmo eu dizendo que meu menino tinha uma tatuagem, não encontraram. O funcionário disse para eu sair dali porque eu poderia pegar doença'', lembra.
O argumento apresentado pelo IML sobre o sumiço do cadáver de Milton foi que possivelmente tenha sido enterrado entre outros corpos indigentes. O diretor geral garante que serão feitas exumações dos corpos que foram enterrados no período do desaparecimento e que fará o possível para encontrar o de Milton.
Uma investigação interna no IML também foi aberta para saber sobre o sumiço do cadáver. Enquanto isso, o pai diz aguardar com desâmino e sem força para voltar a trabalhar.


