Manaus - A identificação das vítimas do acidente com o avião Brasilia da Rico Linhas Aéreas, prefixo PT-WRO, que caiu na noite de sexta-feira, quando completava o último percurso do vôo 4815, a cerca de 40 quilômetros de Manaus, vai demorar muito mais do que os parentes dos mortos esperam. Ao deparar-se com os ''corpos'' trazidos pelos grupos de resgate, o diretor do Instituto Médico-Legal (IML) do Amazonas Helder Freitas levou um susto. ''Esperava ter corpos para identificar. Mas o que recebemos foi muito pior'', disse.
Segundo médicos e funcionários do IML, o que restou das vítimas do acidente não permite qualquer identificação imediata. Os passageiros do vôo 4815 foram praticamente dilacerados com o impacto contra o solo.
Ainda segundo funcionários do IML, o que tem chegado para identificação são pedaços das vítimas.
Para tentar tornar ágil o processo de identificação, o diretor do IML entregou aos parentes das vítimas, na manhã de ontem, um extenso formulário com vários itens a serem preenchidos, tais como roupa usada na hora do embarque, uso de relógios ou outras jóias, presença de cicatrizes ou tatuagens, uso de dentaduras e uma série de outras perguntas.
''Não temos muita pressa em receber esse formulário de volta. O que precisamos é o maior número possível de informações seguras para a identificação dos corpos'', disse o diretor do IML.
Os parentes das vítimas, até a véspera revoltados com a demora para a entrega dos corpos, entenderam o posicionamento do IML e ontem estavam mais calmos.
O gerente comercial da Rico, Lucas Frade, descartou ontem a possibilidade de o avião ter ficado sem combustível por causa da manobra não prevista que fez para ceder a prioridade de pouso a um outro aparelho, um bimotor, que transportava um paciente em estado grave.
Segundo ele, o Brasilia PT-WRO fazia o vôo Manaus/Tefé/São Paulo de Olivença/Tabatinga/Tefé/Manaus e tinha autonomia para alternar o pouso em Santarém, no Pará. ''E poderia voar ainda mais 30 minutos depois disso'', acrescentou ele.

mockup