IML nega agressão contra testemunha do caso Chang
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segunda-feira, 29 de setembro de 2003
Das agências 
Rio - O secretário estadual de Administração Penitenciária do Rio, Astério Pereira dos Santos, disse que os ferimentos no preso Fabiano de Oliveira Costa foram provocados por sua mulher, a advogada Fernanda Neiva, e por ele próprio. O detento teria sido agredido domingo por um funcionário do presídio Ary Franco. Segundo a Secretaria de Justiça, exames do Instituto Médico Legal (IML), porém, não confirmaram as agressões.
Costa, que participou, na última sexta-feira, da reconstituição da morte do comerciante chinês Chan Kim Chang, foi retirado de sua cela depois que a direção do Ary Franco recebeu denúncia de que ele havia sido agredido dentro da unidade. O preso foi levado à delegacia da Piedade e, em seguida, submetido a exame de corpo de delito no IML.
Segundo o secretário, o preso contou que os arranhões em seu pescoço resultaram de uma briga do casal durante uma visita ao presídio. ''São arranhões típicos de unha'', disse ele, acrescentando que Costa não queria ir ao IML para ser submetido a exame corporal. ''Ele teve que ir obrigado.''
Santos afirmou ainda que a queimadura no rosto foi provocada, involuntariamente, pelo próprio preso, que teria dormido com um cigarro aceso. ''Ele não apanhou, felizmente'', disse o secretário, para quem a advogada e o procurador Leonardo Cardoso Freitas ''articularam'' a versão do espancamento para transferir o preso.
Procurado pela reportagem, Cardoso Freitas não havia sido encontrado até o início da noite. Desafeto de Santos, o secretário estadual de Direitos Humanos, João Luiz Duboc Pinaud, decidiu iniciar uma investigação para apurar o que ocorreu com o preso. Ele não quis dar entrevistas.
O advogado da família de Chan Kim Chang, José David Lopes, não soube dizer o que ele disse à polícia sobre a provável sessão de espancamento sofrida pelo chinês. Segundo Lopes, de um modo geral, os internos que foram ouvidos no caso confirmaram a versão dos guardas, de que Chang se autolesionou durante ataque de fúria. O chinês morreu vítima de traumatismo cranioencefálico, onze dias depois de ser preso, por evasão de divisas.


