IML exuma corpo de investigador para nova perícia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de dezembro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 15 (AE) - O Instituto Médico Legal (IML) exumou hoje o corpo do investigador Everaldo Biara Leite para uma nova perícia. O policial foi encontrado morto em seu apartamento, com dois tiros no ouvido esquerdo, em outubro, dois dias antes de o empresário Willian Sozza prestar depoimento à CPI do Narcotráfico. Segundo a versão oficial, Biara teria se suicidado
mas o Ministério Público desconfia de queima de arquivo.
O caso foi reaberto há dez dias pelo delegado seccional da Polícia Civil em Campinas, Josué Ferreira Ribeiro. A tese de suicídio passou a ser contestada a partir dos resultados da primeira necrópsia, realizada pelo legista José Eduardo Zappa. O laudo informa que o policial morreu com dois tiros no ouvido esquerdo, mas há informações de que ele era destro.
O Instituto de Criminalística de Campinas encontrou resíduos de pólvora na mão direita do investigador. Entretanto, o delegado diz que isso não é suficiente para comprovar a versão oficial de suicídio. Com a nova necrópsia, Ribeiro quer confirmar a trajetória das balas. O policial também pediu para que os legistas fotografem o crânio do investigador, o que não foi realizado na primeira necrópsia.
A segunda perícia será realizada pelo legista José Eduardo Zappa, que também foi responsável pela primeira necrópsia. Segundo ele, o laudo deverá ficar pronto na primeira semana de janeiro. "Esse trabalho é mais para confirmar o trabalho anterior e afastar todas as dúvidas", explicou.
Segundo Zappa, não cabe ao legista afirmar se foi suicídio ou homicídio. "Apontamos a causa médica da morte, mas o esclarecimento do caso depende da apuração policial", explica. "Nosso trabalho serve para auxiliar a polícia juntamente com os outros dados obtidos durante a investigação."
O corpo de Leite foi encontrado em seu apartamento dois dias depois da morte. Ao lado do corpo, foram encontrados dois revólveres calibre 38. Os peritos do IC, segundo Ribeiro, não conseguiram realizar o exame residuográfico na mão esquerda do investigador devido ao adiantado estado de decomposição do corpo. As armas também passarão por nova perícia.
Em janeiro, o investigador havia participado da apreensão de 340 quilos de cocaína num sítio em Indaiatuba. Uma semana depois
a droga foi roubada do Instituto Médico Legal (IML) de Campinas. O delegado Ricardo de Lima, responsável pela apreensão
foi preso durante os trabalhos da CPI em Campinas. Ele é acusado ter facilitado o roubo da cocaína.


