Curitiba - Uma equipe da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, da Ordem dos Advogados do Paraná (OAB), fez uma vistoria ontem à tarde no Instituto Médico Legal de Curitiba. A constatação, segundo a vice-presidente da Comissão, Isabel Kugler Mendes, foi aterrorizante. Foram encontrados cerca de 150 corpos, quase todos em estado de putrefação e amontoados dentro de sacos plástico pretos, ''como se fossem lixo''. Há corpos com data de 2008. Além disso, a situação é de extrema precariedade para o trabalho dos funcionários, falta equipamentos e sobra descaso de órgãos públicos.
A denúncia partiu de duas pessoas na semana passada e apresentava vários itens que depõem contra o IML de Curitiba. Segundo Isabel, a situação é muito mais caótica do que se pode imaginar. Ela relata horrorizada o fato de que o chorume que escorre dos corpos do necrotério cai no chão, escorre pelos corredores e cai no esgoto comum. Para tentar conter essa situação, funcionários colocam sacos plásticos embaixo da porta.
Ao entrar no necrotério, a vice-presidente comenta ter visto uma cena chocante, o refrigerador que contém gavetas, que teria a capacidade para armazenar 46 corpos, está com pelo menos a metade danificada. Há também duas câmaras frias, uma para guardar 15 e outra 12 cadáveres. Um funcionário disse que uma delas tinha pelo menos 75 corpos e outra 45. Nas gavetas tinha cerca de 30. ''Foi uma das cenas mais terríveis que vi na minha vida. Parecia que aquilo ali tratava-se de um depósito de lixo, não de um necrotério'', descreve.
Isabel ressalta que o fato de ter tantos corpos e há tanto tempo, sendo a maioria do ano passado, é crime. Ela explica que a lei determina um prazo de 30 dias para fazer a necropsia, coleta de amostras de sangue e tecido, e registros, como fotos. Depois desse prazo, deve ser feito o enterro, mesmo que como indigente. A direção do IML argumentou que está havendo um atraso da Justiça com relação à liberação dos cadáveres, e que também há pelos menos 20 alvarás expedidos, mas que o enterro não é feito porque a prefeitura não libera espaço nos cemitérios.
Outro fato que indignou a equipe da Comissão foi a sala de radiologia do IML, que não é devidamente isolada, o que é necessário por conta dos materiaios radioativos usados no local.
A Comissão da OAB faz hoje um relatório sobre a situação. Na próxima semana, a Vigilância Sanitária será acionada para vistoriar o local. A Prefeitura também será questionada sobre a não liberação dos corpos. A OAB também questionará a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e o Judiciário sobre a lentidão liberação de cadáveres e a sobre a precariadade do IML.

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