IML apura denúncia em Curitiba
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sexta-feira, 06 de março de 1998
Guilherme Vieira 
O casal João Cândido Vieira, 73 anos, e Palmira Martins Mendes, 62 anos, esteve ontem na sede do Instituto Médico Legal (IML), na cidade de Curitiba, para denunciar o médico legista e ex-vereador Paulino Pastre. Segundo o casal, Pastre teria exigido R$ 1,5 mil para liberar três laudos técnicos que comprovariam lesões causadas em acidente de trânsito, ocorrido em fevereiro de 1997, envolvendo o casal e um filho. Esse documento seria utilizado para a liberação do dinheiro de seguro obrigatório para a família, no valor de R$ 15 mil.
Palmira Mendes disse que depois de muita insistência conseguiu receber um dos laudos do médico, o que possibilitou a liberação de R$ 5 mil. Ela informou que depois disso vem sendo pressionada a pagar a comissão de R$ 500 reais. O Pastre vem nos ameaçando para que não denunciemos, e não nos entrega os documentos. Desconfio que ele quer ficar com o dinheiro, pois tem nossa procuração.
Paulino Pastre negou as acusações e informou que possui documentos que provam que foi contratado por advogados para realizar os laudos. Pastre explicou que tudo não passou de um mal entendido e a lei permite que ele tenha feito as três perícias em seu consultório. Eu posso trabalhar realizando laudos particulares, argumentou. O médico conta que quando surgiram as primeiras discordâncias entre ele e os clientes, foi o primeiro a indicar que eles procurassem a Procuradoria Geral do República no Paraná, onde foram abertas investigações em 1997. Pastre argumenta que, segundo informações verbais dos advogados que o contrataram, as denúncias acabaram sendo arquivadas, e que depois disso ele acreditava ter encerrado o assunto. Essa reclamação agora me causa estranheza, disse.
Ainda segundo ele, as perícias que devem ser realizadas no IML são as criminais, como os atestados de óbito e os exames de lesões corporais. Atuei com ética e respeito nesse caso, uma vez que qualquer médico pode cobrar por esse tipo de perícia, disse.
O chefe da Divisão de Fiscalização do IML, Marcos de Souza, informou que já está em andamento, na Corregedoria da Polícia Civil, uma investigação preliminar para apurar as responsabilidades.


