Foz do Iguaçu - As comunidades árabe, chinesa e coreana de Foz do Iguaçu entrarão na Justiça Comum contra o secretário municipal de Turismo, Neuso Rafagnin, por calúnia e difamação. Reportagem do jornal O Globo, de 27 de abril, afirma que Rafagnin ofendeu os estrangeiros ao comentar a crise da tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina).
Segundo a matéria, ele atribuiu a queda no movimento de ‘‘turistas verdadeiros’’ nas décadas de 80 e 90 à chegada de produtos falsificados em Ciudad del Este, cuja exploração seria feita por estrangeiros. O empresário disse, conforme o periódico, que visitantes foram embora por causa dos muambeiros.
‘‘Esses caras vêm do outro lado do mundo para atuar de forma predatória. Só querem roubar. Eles são gananciosos. São como pragas de gafanhotos. Atacam, destroem tudo e vão embora. Foz é uma cidade com muitas belezas turísticas e precisa da atenção do governo federal’’, disse Rafagnin, conforme publicação do diário carioca.
A colônia árabe de Foz é a maior do Paraná e a segunda maior do País, com 12 mil imigrantes e descendentes. Já as comunidades chinesa e coreana têm em torno de cinco mil representantes.
Há 41 anos na fronteira, o ex-vereador Mohamad Ibrahim Barakat, 62, considerou um erro a declaração, ‘‘ainda mais partindo de um secretário de turismo’’. O comerciante libanês afirmou que os imigrantes são parte da história de Foz, ‘‘onde chegaram para trabalhar. Ele precisa se retratar. Um secretário de turismo não pode difamar um povo’’.
Em nota oficial, Rafagnin afirmou ter acontecido um mal-entendido. Disse perceber com tristeza que as declarações ‘‘tenham sido editadas de modo a causar constrangimento às comunidades chinesa, japonesa (sic) e árabe’’. Mais adiante pede ‘‘escusas se em algum momento – de forma involuntária – tenha eu causado à nossa comunidade’’.

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