Amsterdã, Países Baixos (AE-AP) - Procurando refúgio em porões de igrejas e sendo obrigados a mudar-se novamente em poucas semanas, Ahmed e 16 outros marroquinhos vivem no limbo ilegal da lei de asilo holandesa.
Seus problemas começaram no ano passado, quando o governo revogou uma política de anistia que concedeu residência para imigrantes ilegais que estavam no país há bastante tempo, desde que eles pudessem provar que estiveram empregados no país e pagaram impostos por seis anos consecutivos.
Sem permissão para trabalhar numa nação que uma vez já os recebeu bem, eles não podem fazer nada a não ser esperar uma decisão sobre o seu futuro. Eles passam seus dias jogando dardos
assistindo televisão e conversando e suas noites em velhos colchões colocados sobre o chão frio do chão das igrejas.
"Muitos de nós trabalharam aqui por 18 anos e agora estamos sendo chutados para a rua", diz Ahmed, porta-voz do grupo, que não quis revelar seu sobrenome. "Nós pagamos os mesmos impostos que os cidadãos deste país, mas agora isso não importa".
Como outros países europeus, os Países Baixos vem lutando para lidar com o grande fluxo de imigrantes ilegais. Mais de 300 refugiados, muitos da Turquia e do Marrocos, solicitam, diariamente, permissão para permanecer no país. Alguns querem asilo político, outros simplesmente uma vida melhor. A maioria não é aceita.
Mas o debate entre os países da União Européia sobre como lidar com os recém-chegados vem ignorando o empenho de pessoas como Ahmed, que está no país há tempo suficiente para assimilar a cultura, aprender a língua e considerar a Holanda sua casa.
Tais imigrantes, que acreditam possuir os requerimentos para ficar nos Países Baixos, têm até o dia 1º de dezembro para requisitar a permisssão de residência, agora o último recurso para os refugiados que serão, do contrário, deportados. Possuir um um passaporte válido e não ter passagem pela polícia estão entre os requerimentos.
Este processo permitirá ao governo colher dados precisos sobre o número de antigos imigrantes ilegais que vivem no país, disse Maud Bredero, porta-voz do Ministério da Justiça, que cuida da política de asilo. "Muitas pessoas temem que serão enviadas de volta aos seus países, mas nós estamos tentando ser justos com todo mundo", diz Bredero. "Nós não sabemos sequer quantos eles são porque eles estão ilegais". Mas para Abdsslam, uma fluente falante do holandês que já vive nos Países Baixos por quase 10 anos, a política está longe de ser justa. Ele trabalhava como cozinheiro, mas perdeu seu emprego quando a anistia foi suspensa. "Nós não temos casas, não temos direitos ou lugar para ir", conta Abdsslam, fumando um cigarro. "Nós estamos aqui por muito tempo e temos o direito de ficar. Nós ajudamos a contruir a economia daqui. Como podemos voltar e começar uma nova vida? Nossas vidas estão aqui".
Alguns membros do grupo fizeram uma greve de fome que durou 38 dias em fevereiro, uma das muitas greves realizadas por grupos de refugiados desde que a política de anistia foi abandonada. Mas o fato não os ajudou com o caso. "Os políticos nem ao menos nos notaram", diz Abdsslam, que não revelou seu sobrenome. "Quando nós chegamos aqui, o governo nos recebeu bem e nos deu trabalho. Agora, eles dizem que não podemos trabalhar. Por que não nos disseram isso no início?".
Dizendo que a situação é muito triste, a voluntária religiosa Cisca van der Heide, disse que esta nova lei é injusta e que deslocou muitos dos que contribuíram para a atual saúde economia holandesa. "Eu acho que estão misturando essas pessoas com aqueles que pedem asilo político", diz ela; "Eles não estão aqui porque fugiram de algo. Eles vieram para cá para trabalhar e construir seus futuros. E agora, depois de todo esse tempo, eles podem ser colocados para fora do país".

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