Imigrante mexicana faz denúncias ao Congresso sobre tráfico sexual
Washington, 05 (AE-ANSA) - Em busca de uma oportunidade de ganhar mais dinheiro, Maria, uma empregada doméstica de Veracruz (México), aceitou a oferta de um conhecido para trabalhar num restaurante ou bar nos EUA. Chegando à Flórida, porém, ela descobriu que havia sido "contrabandeada" por uma quadrilha dedicada à prostituição, cujos chefes a violavam e castigavam, além de ameaçar sua vida e a de seus familiares se tentasse fugir antes de amortizar a dívida de seu traslado ilegal para os EUA.
Foi esse o relato que Maria fez ontem (4) perante uma comissão do Congresso americano que investiga o tráfico sexual no país.
"Estou aqui falando porque não quero que aconteça a mais ninguém o que aconteceu comigo", desabafou a imigrante uma das milhares de mulheres e crianças nos EUA, e centenas de milhares em todo o mundo, enganadas e ameaçadas para alimentar o fluxo do tráfico sexual global.
Com seu rosto coberto e protegida por um nome fictício sugerido pelos agentes federais que a libertaram do bordel, uma vez livre Maria foi mantida durante meses, para sua proteção, junto a outras mulheres num centro de detenção.
A diretora do Projeto Proteção da Universidade de Harvard, Laura Lederer, disse ao subcomite de Relações Exteriores do Senado que, enquanto a atenção da mídia em relação ao tema se concentra em torno de uns poucos países do Leste europeu e do Sudeste asiático,"praticamente todos os países têm problemas com o tráfico sexual".
Os EUA, por exemplo, seriam um "país receptor", com tantos problemas quanto a Rússia, um "país provedor".
Há um projeto de lei no Senado para ampliar as investigações sobre os traficantes e a ajuda a suas vítimas. Seus autores, os senadores Sam Brownback e Paul Wellstone, acreditam que pelo menos 50 mil mulheres e crianças que entram anualmente nos EUA são obrigadas a exercer a prostituição ou submeter-se a trabalhos forçados. "A nova (forma de) escravidão é o tráfico sexual internacional", afirmou Brownback, líder do subcomitê de Assuntos do Oriente Médio e Sudeste Asiático.
O representante do Departamento de Justiça dos EUA William Yeomans declarou ao subcomite que o número de contrabandeadas tem crescido. O caso de Maria é típico: as mulheres aliciadas são enganadas, sequestradas e obrigadas a exercer a prostituição
além de às vezes serem forçadas a amortizar a despesa do próprio contrabando.
Na perseguição aos traficantes, a polícia tem obtido alguns êxitos. Foi o caso do contrabando de dezenas de mexicanos surdos
forçados a vender bugigangas nas ruas de Nova York, Los Angeles e Chicago, ameaçados de castigos e privações: 18 dos envolvidos no tráfico acabaram se declarando culpados de associação ilícita para escravizar, disse Yeomans. Sete admissões de culpa foram obtidas de membros da quadrilha que escravizou Maria.
O bando obrigava mulheres e meninas de 14 anos a fazer sexo com pelo menos uns 130 homens por semana. Para apertar o cerco a tais criminosos é preciso, segundo Yeomans, reforçar as leis.
Enquanto isso, bandos de traficantes sexual operam em países como Israel e Alemanha, conforme testemunharam perante os senadores duas russas igualmente enganadas e escravizadas. E para a própria Maria o pesadelo que começou quando tinha 18 anos ainda não acabou: embora alguns de seus captores estejam detidos
outros não estão, e ainda vivem em sua Veracruz natal, constituindo uma permanente ameaça a seus familiares.





