Curitiba - O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), criticou ontem o andamento da ação civil pública referente ao chamado massacre do Centro Cívico, que deixou mais de 200 feridos no dia 29 de abril, em frente à Assembleia Legislativa (AL), em Curitiba, durante a aprovação da reforma na Paranaprevidência. Proposto pelo Ministério Público (MP) há três meses, o processo chegou à 5ª Vara de Fazenda Pública da capital na última sexta-feira. Além do tucano, são réus o ex-secretário da Segurança Fernando Francischini (SD), atualmente deputado estadual, e o ex-comandante-geral da Polícia Militar (PM) César Vinícius Kogut.
"Respeito o Ministério Público, mas discordo deste posicionamento. Lamento que ninguém até hoje abordou de forma consistente e responsável a defesa do Estado Democrático de Direito, de se garantir o funcionamento de uma instituição democrática como é a Assembleia Legislativa", afirmou, acrescentando que "confia na Justiça". Antes de dar continuidade à ação, a juíza responsável, Patricia Almeida Gomes Bergonse, vai notificar os citados, para que eles apresentem suas defesas. Como Beto e Francischini têm foro privilegiado, o material deve ser repassado à Procuradoria Geral da República (PGR).
Segundo o chefe do Executivo, ninguém "em sã consciência" queria o confronto. "Aqueles que me conhecem sabem do respeito, do equilíbrio emocional que eu tenho, do diálogo sempre franco e aberto. O que houve ali foi uma provocação de movimentos radicais infiltrados no movimento pacífico de professores, que volto a reiterar: receberam o maior aumento salarial da história do Paraná – 60% nos últimos quatro anos e 75% na hora-atividade, além de (o governo) triplicar o repasse ao transporte escolar, (fornecer) merenda de mais qualidade e (promover) investimentos na estrutura física da educação."
Ao comentar a ocupação da AL por parte dos manifestantes, ele questionou: "Imaginem se isso vira moda, o que será da democracia? Já pararam para pensar na possibilidade de invasão da sede de um parlamento de um país desenvolvido de regime democrático, como seria entendida essa situação? Vejam um exemplo mais concreto: imaginem a possibilidade de invasão do Capitólio (prédio que serve como centro legislativo do governo dos Estados Unidos), na cidade de Washington?", completou.

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