Rio - É possível recuperar as imagens do momento em que a estudante Luciana Gonçalves de Novaes, de 19 anos, foi baleada na Universidade Estácio de Sá, no Rio, disse ontem Luiz Arantes, gerente da empresa TeleSegurança, responsável pelo aluguel e manutenção das câmeras de vídeo. A polícia constatou que dez minutos das imagens entregues às autoridades foram apagados.
Arantes concordou com a polícia sobre a adulteração nas imagens, mas negou que a empresa tenha sido responsável. ''O disco rígido (HD) do computador estava íntegro quando fizemos a cópia. Entregamos no mesmo dia.'' A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) instaurou inquérito para apurar quem adulterou as cenas entregues à polícia e pode pedir a prisão temporária dos suspeitos.
Além dos dez minutos de gravações suprimidos, a DRE, procura também as cenas que mostrariam o operador da sala de controle de câmeras da Estácio. Segundo a polícia, essas imagens poderiam identificar se o equipamento registrou o momento em que a estudante foi baleada, no dia 5, e quem era o funcionário que operava o sistema. De acordo com Arantes, seria alguém ligado à Vigban, que faz a segurança no câmpus.
A polícia esteve na sede da TeleSegurança, que foi parcialmente lacrada na noite de quarta-feira e liberada ontem, onde apreendeu documentos e contratos da empresa com a universidade. O delegado não descarta a hipótese de fazer acareações entre funcionários da empresa e da Estácio. Segundo ele, os depoimentos são ''contraditórios.
Arantes afirmou que no dia do disparo a universidade pediu que a TeleSegurança fizesse a cópia das imagens que seriam entregues à polícia. O chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, informou que as cenas que faltam são importantes, pois ajudariam a identificar o autor do tiro. Na quarta-feira, peritos, um promotor público e policiais estiveram na universidade para cobrar explicações e constataram que as imagens das câmeras que filmam a sala de controle também haviam desaparecido.
Há cerca de dois meses, o sistema de gravação do circuito interno de TV passou a ser feito de forma digital, em CDs. Com essas fitas de vídeo, a polícia pode analisar a movimentação nos pátios da Estácio e também identificar se o local serve como ponto de compra e venda de drogas.

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