Imagens captadas pelo Sivam serão usadas pela Fiocruz para identificar surtos de doenças
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domingo, 27 de fevereiro de 2000
Por Clarissa Thomé 
Rio, 28 (AE) - Imagens captadas pelos satélites do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) vão ajudar a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) a traçar o mapa da saúde pública da região amazônica. A partir das informações colhidas e transmitidas por computador, os pesquisadores da fundação poderão ter indícios de surtos de malária ou de febre amarela, por exemplo. Para isso, foi assinado um acordo de cooperação entre os presidentes do Sivam, brigadeiro-do-ar José Orlando Bellon, e da Fiocruz, Eloi de Souza Garcia, hoje pela manhã, no Rio. A Fiocruz deve começar a receber os primeiros dados em dezembro.
A idéia do acordo é utilizar sensores, radares e satélites do Sivam - usados para vigiar fronteiras, proteger o tráfego aéreo e fornecer informações meteorológicas - para identificar desmatamentos, incêndios, garimpos. O desequilíbrio ambiental é a causa dos surtos de vírus emergentes, malária, febre amarela e doença de chagas. Cabe à Fundação Nacional de Saúde (Funasa) desenvolver programas de prevenção aos surtos e epidemias, a partir das análises da Fiocruz.
"A filosofia do Sivam é usar o mesmo sensor para captar a mesma informação que receberá tratamento diferente por diversas entidades", explicou o brigadeiro Bellon. "Chuva forte pode ser mais uma informação meteorológica para a Aeronáutica, sinônimo de enchente e excesso de mosquito para pesquisadores da Fiocruz ou aumento do leito dos rios para os navegadores". O vice-diretor do Centro Regional da Fiocruz na Amazônia, Sérgio Luz, explica que a foto de uma área devastada pode ser indício de garimpo.
"Se há extração vegetal, há crescimento do fluxo migratório entre floresta e município mais próximo", afirma o biólogo. Isso pode significar risco de aumento da transmissão de malária, causado pelo vai-e-vem à floresta, de doenças sexualmente transmissíveis, já que prostitutas se instalam nas proximidades, além de contaminação dos rios e provavelmente da população ribeirinha.
Nem todos os equipamentos necessários para a troca de informações entre Sivam e Fiocruz foram instalados. Segundo o brigadeiro Bellon, o projeto Sivam tem até 2002 para estar concluído. "Estamos na metade do caminho e não vamos perder o prazo final", afirmou. "Até dezembro, a Fiocruz terá as primeiras informações".


