São Paulo - O diagnóstico precoce da doença cardiovascular poderia se justificar apenas com o argumento de que é a que mais mata no mundo. Mas, o que falar quando os números mostram que, em metade dos casos, o infarto ou a morte súbita aparecem como primeiro sintoma, sem que as pessoas apresentem qualquer aviso anterior? Buscar indícios da doença de forma cada vez mais precoce já é possível com novidades em exames por imagens e a expectativa é que as tecnologias ganhem cada vez mais recursos. Esse foi um dos panoramas apresentados na Jornada Paulista de Radiologia (JPR 2010), no final de abril, na capital paulista.
A tomografia computadorizada cardíaca (TC cardíaca) tem ganhado destaque na detecção precoce de condições que podem levar a um infarto, avalia o cardiologista Afonso Akio Shiozaki. Ele é especialista em ressonância e tomografia cardíaca e médico assistente do serviço de tomografia cardiovascular do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, de São Paulo, e do Instituto Maringá de Imagem, em Maringá. Shiozaki participou do evento paralelo à JRP 2010 ''Perspectivas em Diagnósticos por Imagem: avanços na área da tomografia computadorizada cardíaca'', promovido pela área de Diagnósticos por Imagem da Bayer Schering Pharma (BSP).
Com a TC cardíaca, aponta o cardiologista, é possível realizar duas modalidades de exames que se complementam: o de escore de cálcio e a angiotomografia, que avalia a anatomia das artérias coronarianas. Shiozaki explica que, com o tempo, as placas de gordura nas artérias podem sofrer processo de cicatrização e ficar calcificadas. Por isso, o primeiro exame mede essa densidade e quanto mais alto o escore de cálcio, maior o risco de mortalidade. ''Isso permite determinar o risco em pacientes que ainda não apresentam sintomas e iniciar um tratamento efetivo''.
A outra modalidade da TC cardíaca - a angiotomografia - permite analisar tanto o grau de entupimento das artérias quanto a quantidade de placas. A avaliação anatômica e funcional que se consegue com a angiotomografia, ressalta o especialista, é bem parecida com o cateterismo, com a vantagem de não ser um exame invasivo.
Algumas considerações, no entanto, devem ser feitas. A primeira é que há limitações na tomografia - calcificações muito extensas, por exemplo, podem dificultar a obtenção de imagens, e muita arritmia do paciente pode dificultar imagens de qualidade, já que é preciso sincronizá-las com o movimento do coração. ''São limitações, mas que não impedem que o exame seja feito'', avalia.
A outra é que é preciso considerar o risco benefício em pacientes com disfunção renal, já que o método é contraindicado para esses casos. ''É preciso ter cuidado com esses pacientes e fazer uma avaliação rigorosa do risco benefício. Hoje, há protocolos utilizados para diminuir o risco, com efeito de nefroproteção'', avalia.
A expectativa para o futuro, aponta David Garcia, diretor de diagnósticos por imagem da BSP, é o desenvolvimento da imagem molecular, que poderá apontar com grande antecedência o risco de doenças.
* A jornalista viajou a convite da Bayer Schering Pharma

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