Buenos Aires - Desde que saiu de sua cidade em direção a Buenos Aires, passando por sua época na casa presidencial ao lado do general Juan Domingo Perón, até se transformar na defensora dos trabalhadores, Evita passou por uma profunda metamorfose em sua imagem pública. Cinquenta anos depois de sua morte, analistas e escritores concordam que o vestuário de Evita foi um elemento decisivo de sua carreira política, de 1946 a 1952.
O vestuário foi mudado da ostentação que pretendia aos 16 anos, recém chegada a Buenos Aires com o objetivo de se tornar atriz, para a austeridade manifestada diante dos trabalhadores quando se tornou líder política.
''A metamorfose desde a Eva Duarte afundada em ouro até a Eva Perón da caridade foi, talvez, a faceta mais estranha de sua estranha carreira'', afirmou a escritora Mary Main em seu livro ''Evita, a mulher do chicote''.
Além da roupa, com o tempo mudou seu cabelo, pois o louro de seu começo em Buenos Aires na realidade era castanho ''era um ouro teatral e simbólico que tinha a função das auréolas e os fundos dourados na pintura religiosa da Idade Média (...) A partir desse momento poliria e afinaria sua personagem, suprimindo um pouco os excessos ornamentais'', destacou Alicia Dujovne Ortiz em seu livro ''Eva Perón''.
''Com a roupa que trabalhava e com os vestidos trazidos da Europa tentava impressionar a alta sociedade, que nunca a aceitou como um dos seus'', afirmou à Leonor Pugá Sabaté, a figurinista do filme argentino ''Eva Perón'', de 1996.
Porém, a medida que começava a se comprometer mais com os humildes, Evita ia deixando os impressionantes vestidos e jóias (pelo menos nas aparições públicas). ''A Eva Duarte de Perón com suas peles de visom e suas valiosíssimas jóias era trocada pela Evita de cabelo ao vento, cara lavada e olhar esperançoso'', segundo a revista Viva, do jornal Clarín, de 14 de julho.
Evita demonstrou sua preocupação com a imagem inclusive antes de morrer.
O escritor argentino Abel Posse, autor do romance ''A paixão segundo Eva'', lembrou no jornal La Nación que em seus últimos instantes de consciência Evita chamou sua manicure Sara Gatti para que melhorasse seu aspecto.
Gatti comentou: ''A senhora me disse: Olha Sara, é uma ordem. Logo vão entrar todos porque vou morrer e depois vão te chamar para me preparar. Você vai tirar este vermelho que tenho nas unhas e me colocará esse Queen of Diamonds transparente que te fiz comprar. O da Revlon''.

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