Vânia Casado
De Curitiba
O superintendente do Porto de Paranaguá, Osires Stenguel Guimarães, está preocupado com a imagem do porto no exterior. Segundo ele, aliado a problemas de logística que o porto ainda enfrenta, outros três episódios ocorridos este ano que nada têm com a administração do porto afetaram a imagem de Paranaguá, contribuindo com a queda do prêmio para exportação.
Com isso muitos importadores estão preferindo escoar a produção pelos portos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A diferença de preço entre a soja escoada pelo Porto de Paranaguá e a cotação norte-americana é de US$ 6. Enquanto o preço aqui está fixado em US$ 156 a tonelada, nos Estados Unidos o grão está cotado a US$ 172 a tonelada.
Osires se referiu ao surto de cólera, que eclodiu no início do ano. O surto não influenciou as operações de importação e exportação de produtos, mas muitos armadores preferiram não enviar seus navios para cá, por falta de informações corretas, salientou.
Em seguida foram as informações sobre desvio de soja em Paranaguá, problema que também foge ao controle da administração do porto. Segundo o superintendente, a Polícia Federal está apurando os casos de desvio e constatando que eles ocorrem em outros setores não controlados pela administração do porto.
Por fim, teve o episódio das denúncias de extorsão para emissão de certificado fitossanitário, que permite a liberação de importação e exportação de produtos. ‘‘A denúncia está restrita à delegacia regional do ministério da Agricultura e mais uma vez, a administração do porto está fora disso’’, destacou.
Osires lamentou que episódios como esse sempre acontecem e atribuiu as ocorrências à tentação que o porto oferece por ser uma estrutura muito complexa, de muitos interesses com a entrada e saída de produtos.
Para reduzir problemas como esse que afetam a imagem do porto no exterior, a administração de Paranaguá está investindo num sistema de controle de mercadorias on-line. Trata-se de um projeto amplo, em que todos os usuários poderão acessar um terminal de computador e saber exatamente onde está transitando a mercadoria que está sendo importada ou exportada.
Para isso, no entanto, o projeto precisa ser ‘‘vendido’’ para os parceiros da iniciativa privada que operam no porto. Segundo Osires, o controle de mercadorias on-line é um projeto pioneiro que depende de recursos de parceiras para ser implementado.
Enquanto isso, a administração do porto continua com as obras de modernização de setores como corredor de exportação e terminal de contêineres. Segundo Osires, na próxima safra Paranaguá terá todo o complexo de exportação automatizado, desde a recepção até a expedição de grãos. O embarque de mercadorias, da atracagem até a partida do navio, será feito em 24 horas. Hoje o tempo varia até 36 horas.
O funcionamento dos berços de atracação altamente especializados, com capacidade de carregamento para seis mil toneladas/hora, e o controle total para evitar a contaminação (mistura com outros produtos), permitirá a movimentação ininterrupta de 20 milhões de toneladas por ano de produtos agrícolas destinados a exportação, 10 milhões a mais do que a capacidade atual.Para o superintendente Osires Stenguel Guimarães, episódios alheios à administração prejudicam o conceito do porto
Arquivo FolhaREPERCUSSÃOSuperintendente do Porto de Paranaguá, Osires Stenguel Guimarães: preocupado com a queda do prêmio para exportação

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