Brasília, 06 (AE) - O presidente da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), Manoel Félix Cintra Neto, disse, em depoimento à CPI dos Bancos, que a imagem da BM&F não foi arranhada pelos episódios de socorro do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam. "As versões foram distorcidas, mas a bolsa demonstrou que seus riscos eram bem calculados, tanto que só houve problema com essas duas instituições", afirmou Cintra Neto. Ele disse que a posição do Banco Marka na BM&F estavam bem garantidas e seguras, e, se a instituição quebrou, não foi só pelas operações no mercado futuro.
O superintendente da BM&F Marco Aurélio Teixeira, voltou a afirmar, em seu depoimento, que não se pode utilizar apenas o critério de alavancagem para calcular o risco de instituições em operações no mercado futuro. Ele disse que só esse critério, sem se levar em conta o grau de volatilidade, pode gerar risco muito grande.
Já o vice-presidente da BM&F, Nei Castro, que também está prestando depoimento à CPI, acaba de responder pela segunda vez à pergunta sobre a causa de não terem sido executadas as garantias do Marka. Ele voltou a explicar que isso não foi feito porque o banco não se tornou inadimplente junto à BM&F.
Edemir Pinto reafirmou à CPI do sistema financeiro que a bolsa tinha condições de liquidar compulsoriamente as posições em dólar do banco Marka. Ele fez uma simulação, dizendo que, a uma taxa de R$ 1,33 por dólar, seriam necessários R$ 65 milhões e o banco tinha garantias de R$ 70 milhões. Para honrar os contratos do Marka a uma taxa de R$ 1,36, a bolsa usaria 100% das garantias do banco (R$ 70 milhões) e seriam necessários, além disso, R$ 28 milhões a serem retirados dos fundos de salvaguarda da BM&F.
Em seu depoimento à CPI dos Bancos, o presidente da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Manoel Felix Cintra Neto, disse que as garantias do Banco Marka eram suficientes para que seus contratos fossem liquidados a uma taxa de câmbio de R$ 1,34. Edemir Pinto, superintendente-geral da Bolsa, afirmou que se o Marka fosse considerado inadimplente, teria que ser feita a liquidação compulsória do banco. Pinto lembrou que nos dias 13 e 14, as cotações dos negócios com câmbio futuro haviam atingido o limite de oscilação e, por isso, os negócios eram praticamente inexistentes. Ou seja, o pregão estava funcionando, mas não havia negócios. Pinto questionou que, numa situação como essa, como a Bolsa poderia fazer a liquidação? Ele afirmou que a Bolsa teria que convocar seus 126 associados para que eles dessem prioridade para a venda dos contratos do Marka.
As informações sobre a existência de garantias suficientes dos bancos Marka e FonteCindam para honrar as operações das duas instituições na BM&F, que foram dadas hoje pela diretoria da bolsa, na CPI dos Bancos, já haviam sido fornecidas à comissão pela chefe do Departamento de Fiscalização do BC, Tereza Cristina Grossi. No entanto, o presidente em exercício da comissão, José Roberto Arruda, e o presidente do PMDB, Jáder Barbalho, estão dando destaque a esses dados divulgados na sessão de hoje.
Em seu depoimento na última terça-feira, Tereza Cristina Grossi havia explicado a diferença de visão entre a BM&F e o Banco Central sobre aos riscos dos dois bancos. Ela explicou que a BM&F via apenas a situaçãao da bolsa para a qual havia garantias suficientes para honrar os compromissos. No entanto, se as garantias fossem executadas, segundo a técnica do BC, os dois bancos teriam que ser liquidados, pois as garantias eram formadas principalmente por títulos públicos que faziam parte dos ativos das próprias instituições. Sem esses títulos, explicou a técnica, os bancos Marka e FonteCindam não teriam patrimônio suficiente para operar como instituição financeira e teriam que ser liquidados pelo Banco Central, levantando o temor do risco sistêmico.

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