Imagem atrai gente de fora e gera comércio
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quinta-feira, 18 de julho de 2002
Lívia Marra<br> Agência Folha 
São Paulo - Cerca de 20 mil pessoas já passaram em frente a casa onde apareceu a imagem de uma suposta santa, no vidro de um janela, desde domingo ao meio-dia de ontem. A Guarda Civil interditou parte da rua Antônio Bernardino Corrêa, no Jardim Juliana, em Ferraz de Vasconcelos, Grande São Paulo, para facilitar a concentração dos fiéis.
Uma fila é organizada pelos guardas municipais para que as pessoas entrem na garagem da casa e cheguem perto do vidro onde há a imagem.
O proprietário da casa, Antônio José Rosa, 38, disse que não se incomoda com intenso movimento, mas ''está difícil para dormir''. ''Os fiéis vão embora por volta de 1h e voltam as 6h'', disse Rosa.
Ele trabalha como autônomo em serviços de demolição e trouxe a janela com o vidro de uma obra, há três anos.
''Estou acreditando em alguma coisa, porque tenho 38 anos e nunca vi nada assim'', disse.
Ninguém ofereceu dinheiro pela casa, mas amigos ofereceram uma residência para a família descansar.
A janela foi limpa diversas vezes, mas segundo Rosa, ''quanto mais limpa, mais linda, mais nítida a imagem fica''.
Apesar do grande movimento, não houve incidentes. Somente Marilza da Silva Carvalho, 32, chorou muito e desmaiou em frente à janela, mas foi socorrida em seguida.
Muitas pessoas, de várias cidades, se concentram em frente a casa. Os fiéis rezam e cantam músicas religiosas. Pessoas da capital e do interior de São Paulo fazem a peregrinação para ver a imagem da suposta santa.
Cleusa Ferreira dos Santos Silva, 46, moradora de Araras (a 169 km de São Paulo), chegou de ônibus com o filho Caio, 4. ''Fiquei impressionada e fiz um pedido à imagem para dar saúde a todos''.
Ana Camilo, 66, também esteve no local. Moradora de Poá, na Grande São Paulo, disse que foi a Ferraz de Vasconcelos porque queria ''ver para crer''. Para Ana, a imagem é ''Sagrado Coração de alguma coisa. Ou de Jesus ou de Maria''.
Comércio - De cafezinho a terço, tudo é vendido na rua por ambulantes e crianças da região, que aproveitam o movimento de fiéis para ganhar um dinheiro extra.
Com uma garrafa térmica sobre um caixote de madeira, sentado na calçada, Adriano, 10, morador da rua onde apareceu a imagem, vende cafezinho por R$ 0,50.
Adriano disse que ele mesmo teve a idéia e que hoje recebeu R$ 1,50. ''Gastei tudo em doce'', disse.
Outras crianças atuam como flanelinhas. Gustavo, 9, e Reginaldo, 14, são alguns dos guardadores de carros e recebem ''qualquer moeda'' pelo serviço.
Também há pipoqueiro, vendedor de lanches, churrasquinho, terços e brinquedos para crianças.
O morador Cherles Martins Souza, 21, cedeu a garagem de sua casa para um amigo vender lanches em uma van. ''Esperamos vender bastante porque na mercearia daqui acabou tudo''.
Os adolescentes Reinaldo, 17, e Michel, 16, vendem terços com preços que que variam R$ 1 a R$ 5. Um cata-vento pra crianças custa entre R$ 1 e R$ 2.


