Salvador, 29 (AE) - No carnaval dos 500 anos do descobrimento, o bloco afro Ilê-Aiyê vai homenagear os negros que lutaram contra a escravatura no Brasil com o tema "Terra de Quilombo". A idéia é levar para a avenida uma reflexão sobre o significado dos 500 anos de Brasil para os negros. Isso evidentemente, com muito batuque, danças e coreografias que só o Ilê sabe fazer. As fantasias terão estampas com os nomes dos principais quilombos que foram formados no Brasil, o de Palmares (Alagoas), Buraco do Tatu (Salvador) e Ambrósio (Minas Gerais), entre outros.
Criado no Bairro da Liberdade, em 1974, o mais povoado de Salvador, o Ilê é um dos poucos blocos afros que ainda mantém sua filosofia de mostrar a cultura negra no carnaval, sem concessões: a entidade não usa trio elétrico para animar seus cerca de 2.500 integrantes e não admite pessoas da raça branca no bloco, uma atitude polêmica e muito discutida em Salvador. A tese dos diretores do Ilê é de que não se trata de racismo, mas de preservar as raízes da entidade. De uma certa forma, ao só permitir associados negros, o Ilê faz um contraponto a alguns dos grandes blocos de trios de Salvador que recusam negros, conforme as várias denúncias feitas nos últimos carnavais.
Com sua banda de percussão, o Ilê desfilará pelo centro de Salvador, no sábado, segunda e terça-feira. Além das apresentações, um dos grande momentos do bloco é a saudação aos orixás, cerimônia que antecede a saída do Ilê, na Rua do Curuzu, sábado à noite. O ritual é conduzido pela mãe-de-santo Hilda Santos, diretora do Ilê.
Ingressos - Os ingressos para as arquibancadas da Praça do Campo Grande, onde começam os desfiles no centro de Salvador, esgotaram-se uma hora depois do início das vendas, ontem à tarde. A prefeitura colocou à venda 1.500 ingressos para cada um dos seis dias do calendário oficial dos desfiles dos blocos, a partir da quinta-feira. Quem quiser assistir à passagem dos blocos vai ter que acompanhar em pé da avenida, sem o conforto e a segurança das arquibancadas.

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