Outra tese de quem prescreve a retirada do glúten da alimentação é que a proteína ''não vem sendo digerida adequadamente'' pelas pessoas. E que essa quebra inadequada das moléculas causa reações inflamatórias no organismo, resultando em doenças como rinite e alergias na pele.

Gisella Valle, nutricionista funcional e biomolecular, de Londrina, explica que a digestão não é adequada porque ''as pessoas não se preocupam em retirar os parasitas (vermes) e reintroduzir bactérias boas no intestino através de lactobacilos''. É isso, segundo ela, o que vai garantir a reconstituição da flora intestinal, além de mais proteção contra a intolerância, não só ao glúten, mas à caseína do leite ou a outro alimento.

Um dos exames que diagnosticam a doença celíaca, explica, são das imunoglobulinas A e G. ''Mas, hoje vemos que embora o exame histológico da mucosa intestinal possa se mostrar normal e os de imunoglobulinas A e G também negativarem, o paciente apresenta maior sensibilidade intestinal'', aponta. Fora isso, o diagnóstico é feito com biópsia do intestino.

Como nem sempre a biópsia é indicada, o que é possível de fazer é a dieta de exclusão e rotatividade. Funciona assim: retira-se o glúten, o leite e alimentos cítricos da alimentação, por exemplo, por 30 dias. Depois desse prazo, um dos itens é recolocado, e o paciente relata se houve ou não mudanças.

A resposta à retirada do glúten, explica a nutricionista, varia de caso a caso. ''Nos casos de alergia e rinite, em 30 dias já há diminuição da produção de muco e diminuição do número de episódios. Em outros casos, como o déficit de atenção, com ou sem hiperatividade, é mais demorado e os primeiros resultados aparecem em alguns meses. Mas, estudos vem mostrando que crianças com hiperatividade ficam menos agressivas com a retirada do glúten e tem a possibilidade de diminuir a medicação que usam'', afirma.

Hoje, segundo Gisella, há boas opções de produtos para quem precisa excluir o glúten da dieta, desde salgados como coxinha e esfirra, pães, torradas, granolas, doces, macarrão até pizza e pão francês. ''Hoje as pessoas não precisam se privar, pois na maioria das vezes há substitutos, feitos de farinha de arroz, mandioca, batata, quinua e outros, e iguais em termos de sabor'', ressalta. O inconveniente, aponta, é o preço mais alto. (C.P.)

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