Igrejas culpam governo por ferir dignidade
RELIGIÃO Igrejas culpam governo por ferir dignidade Texto da Campanha da Fraternidade, lançada ontem, por Conselho das Igrejas Cristãs do Brasil critica sistema social e político Agência Estado De Brasília O texto-base da Campanha da Fraternidade 2000, lançado ontem pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), responsabiliza os governantes do País pela agressão à dignidade humana. Nossos governantes decidiram assumir e impor a todos os brasileiros a reprodução de um sistema político e social sem freios éticos, critica o texto. Segundo o presidente do Conic, pastor Joaquim Beato, da Igreja Presbiteriana Unida, os problemas sociais se acentuaram nos últimos cinco anos, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Beato, no entanto, tentou amenizar as críticas do documento, afirmando que a culpa pela afronta à dignidade humana no País não pode ser atribuída a Fernando Henrique nem a nenhum governante em particular. Para ele que é filiado ao PPS e já foi suplente de senador pelo PMDB e secretário de Bem-Estar Social e Educação do Espírito Santo , é impossível colocar em cima de um governante a responsabilidade por algo que depende do sistema político e econômico em escala mundial. A globalização não obedece a nenhum limite ético. O texto-base é assinado por representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), representando a Igreja Católica, e pelas Igrejas Cristã Reformada, Episcopal Anglicana do Brasil, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Metodista, Ortodoxa Siriana do Brasil e Presbiteriana Unida. Pela primeira vez em 37 anos, a Campanha da Fraternidade está sendo organizada de forma ecumênica, com a participação de sete igrejas cristãs. O presidente da CNBB, d. Jayme Chemello, também atacou a globalização e disse que a política social está muito subordinada ao econômico. Afirmou ainda que um salário mínimo de US$ 100,00 não é justo, mas defendeu que a fixação do valor deve levar em conta a capacidade econômica do País. Há o perigo de aumentar o desemprego, ponderou o religioso. A Campanha da Fraternidade, que tem como tema este ano a Dignidade Humana e Paz Novo Milênio sem Exclusões, vai atacar de frente os problemas sociais em três áreas: a questão indígena, os moradores de rua e a seca na região do Semi-Árido nordestino. O Conic espera arrecadar cerca de R$ 4 milhões por meio de doações, que já podem ser feitas no Banco Brasil (conta número 5.000-8, agência 3475-4). Desse dinheiro, 40% vão para o fundo nacional e o restante para ações locais nas comunidades onde os recursos forem arrecadados.





