Curitiba- Neste ano, um dos objetivos da Campanha da Fraternidade Ecumênica - que tem como tema ''Economia e Vida -Não se pode servir a Deus e ao dinheiro'' - é transformar em prática a mensagem principal, pedindo aos cristãos que repensem a economia de forma que ela valorize a vida e não foque nos lucros. Na programação da campanha, que desta vez ultrapassa o período da Quaresma, conferência, seminário e fórum pretendem orientar, através de exemplos, as práticas da economia solidária como alternativa sustentável para geração de renda.
Exemplos como o da dona de casa Rosalba Eliane Gomes Wisnievski, 52 anos. Ela e mais quatro amigas do bairro Xaxim, em Curitiba, uniram esforços para montar uma padaria comunitária. Conseguiram apoio para a compra dos equipamentos e do ponto, então entraram com a mão de obra e a matéria-prima. ''A gente faz pão caseiro dois dias por semana e sai para vender nas casas e escolas da região. Também já fomos contratadas para servir café da manhã em eventos grandes. O preço é bem acessível, mas ainda sobra dinheiro para uma partilha''.
Segundo ela, no ''pior mês'' a divisão fica em R$ 300 para cada uma, o que não seria o suficiente para sustentar a família, mas ajuda a complementar a renda em casa. ''Tem até uma senhora de 70 anos no grupo. Não temos estudo e estávamos à margem da sociedade econômica. O que temos é forte porque vem da base para cima. Trabalhamos com a autogestão, todos têm voz e vez'', ensina.
A programação oficial da Campanha da Fraternidade Ecumênica na Capital será aberta no domingo. Haverá celebração ecumênica e uma feira solidária com a participação de grupos e entidades que desenvolvem alternativas de trabalho de geração de renda. O calendário segue, segundo Elizete de Oliveira, coordenadora da campanha, com uma conferência ministrada pelo teólogo Jung Mo Sung, no dia 4 de março. Em maio, um seminário sobre economia será realizado na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). De 5 a 7 de setembro haverá um Fórum Social de Economia Solidária.
Para o Arcebispo de Curitiba, Dom Moacyr José Vitti, o exemplo a ser seguido é o da primeira comunidade cristã. ''Eles viviam o amor e solidariedade, colocando tudo em comum. Assim, não havia necessitados entre eles'', lembra. O pastor Jorge Schiefer Decker, sinodal da Igreja de Confissão Luterana no Brasil, acredita que surgirão outras iniciativas de economia solidária graças aos exemplos que deram certo.
A campanha é organizada anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e, assim como os anos 2000 e 2005, esse ano é promovida em conjunto pelas igrejas cristãs que fazem parte do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic).

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