A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) decidiu adotar uma postura mais flexível em relação ao uso de preservativos. O método contraceptivo, até agora combatido pela Igreja, será ‘‘tolerado’’ pelo menos em relação aos chamados grupos de risco. A medida foi anunciada ontem durante a abertura do 1º Encontro sobre DST-Aids, promovido pela Pastoral da Sa© úde, no mosteiro de Vila Kostka, em Indaiatuba, interior de São Paulo.
‘‘Entre a camisinha e a expansão da aids, somos obrigados a escolher o mal menor’’, afirmou o bispo de Goiás, dom Eugênio Rixen, coordenador da Comissão Nacional de DST-Aids, ligada à Pastoral da Saúde. ‘‘Mas isso não quer dizer que os padres vão pregar nas missas o uso de preservativos’’, ressalta.
Segundo ele, a CNBB reconhece que o uso da camisinha é necessário pelo menos para conter o avanço da doença entre os chamados grupos de risco, como prostitutas e homossexuais.
Num folheto que a Comissão distribuirá entre as paróquias de todo o País, a CNBB destaca que a melhor maneira de evitar a aids é adotar um comportamento ético e sem vícios. O texto, porém, diz que, ‘‘se você não aceita estes ideais ou tem dificuldade de vivê-los, as recomendações da medicina são: evitar o uso comum de seringas; evitar relações sexuais sem preservativo; e evitar transfusões sem conhecer a procedência do sangue’’.
O ministro as Saúde, José Serra, que participou da abertura do encontro, elogiou a postura da Igreja em relação à política do governo no combate à aids. ‘‘Até agora, a Igreja não tem colocado obstáculos ao trabalho do governo’’, disse. ‘‘É importante que a Igreja continue trabalhando, e nós vamos respeitar sua postura sem fazer polêmica’’, completou.
O encontro, que reúne padres, leigos e organizações não-governamentais (ONG) ligadas ao trabalho com portadores do HIV em 16 Estados, prossegue até o dia 16.

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