São Paulo, 29 (AE) - A Arquidiocese de São Paulo também apelará à Justiça contra o uso de imagens religiosas no sambódromo, entrando com um pedido de liminar contra uma versão da Pietà, famosa obra de Michelangelo, criada pelos carnavlaescos da Escola águia de Ouro, do Grupo Especial. Na alegoria, ela aparece carregando um índio em vez do Cristo morto.
A agremiação tem prazo até quinta-feira para desistir da idéia, segundo o monsenhor Arnaldo Beltrami, porta-voz da Arquidiocese na ausência do arcebispo d. Cláudio Hummes, que está em Roma. "Vamos usar o artigo 5.º, inciso 6.º, da Constituição, que defende o respeito à liberdade de culto e protege os símbolos e locais religiosos", disse ele.
Para Beltrami, o que está em discussão é o uso inadequado da imagem de Maria, símbolo de pureza, no contexto do carnaval, o que colocaria em risco o imaginário popular. "Estamos contando com o bom senso dos dirigentes da escola". Indignação - A águia de Ouro irá entrar na avenida com um enredo sobre a chegada dos jesuítas no País. "Os índios foram dizimados e merecem hoje ter um representante nos braços da Virgem Maria", afirmou Paulo Fuhro, carnavalesco da agremiação e ex-seminarista. Ele diz estar indignado com o que considera uma posição intransigente da Igreja. "A instituição só está demonstrando que não evoluiu e pensa em desmantelar a cultura do País".
Já o presidente da escola, Sidnei Carriuolo, preocupa-se em não polemizar: "Entendo a posição da Arquidiocese, mas não posso deixar de defender minha escola", disse. "Jamais foi nossa intenção faltar com o respeito à imagem da mãe de Jesus". Carriuolo promete uma decisão sobre a Pietà até quinta. Seja qual for, algo é certo: Fuhro não quer prejudicar a escola. "A imagem será substituída por algo ainda mais chocante", garantiu. O desfile da águia de Ouro está programado para as 2 horas de sábado.