Igreja se mobiliza contra o aborto
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quinta-feira, 07 de fevereiro de 2008
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Na tentativa de conter o avanço de correntes que defendem a legalização do aborto no País, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou ontem a Campanha da Fraternidade 2008. Em Curitiba, a mobilização nacional, que tem o tema ''Fraternidade e defesa da vida'', foi apresentada pelo arcebispo metropolitano Dom Moacyr José Vitti. Uma missa na catedral, às 19 horas de hoje, marca oficialmente o lançamento da campanha na Capital.
Segundo Vitti, o tema pretende criar uma discussão sobre diversos tipos de agressão contra a vida. Por isso, abrange desde questões como pobreza até a banalização da violência e o consumo de drogas, entre outros. ''Queremos levar a sociedade a discutir maneiras de promover a vida humana e protegê-la de todos os meios que hoje existem para destruí-la'', afirmou.
No centro da discussão está a questão do aborto. Mas, ao ser questionado se a campanha seria uma resposta ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que vem defendendo abertamente a legalização do aborto, Vitti preferiu deixar a resposta nas entrelinhas. ''Queremos abrir os olhos das nossas autoridades, que são responsáveis por proteger a vida das pessoas'', disse.
Durante a apresentação, as críticas mais duras aos defensores tanto do aborto quanto da eutanásia ficaram por conta do padre Ricardo Hoepers, professor de Bioética do Studium Teologicum de Curitiba. ''A campanha quer fazer uma grande mobilização para mostrar que o aborto e a eutanásia são um retrocesso. Um país que se diz democrático, que quer progredir, estaria regredindo com uma lei que permita matar crianças'', declarou. De acordo com Hoepers, como contrapartida a Igreja propõe políticas de maior apoio a mulheres grávidas, melhoria no atendimento hospitalar e um amadurecimento no uso da sexualidade.
Como parte da programação da campanha haverá o dia nacional da coleta da solidariedade. No dia 16 de março, a arquidiocese promoverá uma passeata no Centro de Curitiba. O dinheiro arrecadado com a coleta será usado para financiar projetos, apresentados por paróquias e pastorais, voltados a pessoas em situação de risco, especialmente gestantes, idosos, portadores de HIV e moradores de rua.


