Igreja quer solução definitiva para seca
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sexta-feira, 01 de maio de 1998
Clayton Levy Agência Estado 
Uma comissão formada por cinco bispos nordestinos se reunirá na quarta-feira em Recife (PE), com o novo presidente da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Sergio Moreira. Os religiosos vão expressar a preocupação da Igreja com a situação dos flagelados da seca e cobrar providências.
A decisão foi anunciada ontem, no encerramento da 36ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Indaiatuba. Durante a semana, os religiosos chegaram a comentar que a comissão episcopal iria a Brasília para falar diretamente com o presidente Fernando Henrique Cardoso, mas depois resolveram abordar o assunto primeiro com o presidente da Sudene.
Foi uma mudança de ordem prática e não estratégica, explicou o presidente da CNBB, dom Lucas Moreira Neves. Segundo ele, os bispos de Paulo Afonso (BA), dom Mário Zaneta, e de Caruaru, dom Antonio Soares Costa, já estão definidos para integrar a comissão. O bispo de João Pessoa (PB), dom Marcelo Carvalheira, que na semana passada deu início uma polêmica ao incentivar os saques a lojas e supermercados, não fará parte do grupo.
Queremos saber se a Sudene tem algum projeto para resolver a seca no Nordeste de maneira definitiva, disse o presidente da CNBB. Dom Lucas disse que também pretende conversar com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no final deste mês, quando ocorrerá em Brasília a reunião mensal da presidência da CNBB com a Comissão Episcopal Pastoral.
O presidente da CNBB disse que, durante a Assembléia em Indaiatuba, conversou por telefone com o vice-presidente Marco Maciel. Pedi que ele levasse ao presidente nossa preocupação com os flagelados, disse. Segundo ele, o vice-presidente respondeu que o governo está empenhadíssimo em enfrentar a seca no Nordeste.
Num documento intitulado Um Clamor nos Vem do Nordeste, divulgado ontem, os bispos fazem um apelo para que o governo e a iniciativa privada ofereçam, além das medidas emergenciais, projetos concretos, de efeitos permanentes, para superar a seca. No texto, os religiosos também denunciam a indústria da seca e a corrupção eleitoral, como fatores que impedem a solução do problema.
Em outro documento, intitulado Para Uma Efetiva Reforma Agrária, também divulgado ontem, os bispos afirmam que a Reforma Agrária é o caminho para a paz social no campo e nas grandes cidades atormentadas pelo desemprego. A CNBB também cobra do governo uma eficiente política agrícola, com legislação tributária mais adequada para a propriedade rural, e mecanismos de apoio à propriedade familiar.
Com apenas sete parágrafos, o documento da CNBB sobre reforma agrária ficou aquém das expectativas. Dom Lucas explicou, porém, que o discurso da Igreja sobre o tema já está expresso no documento Para uma melhor distribuição da terra - o desafio da reforma agrária, divulgado em novembro do ano passado pelo Vaticano.
Este ano, preferimos dar ênfase ao documento do Vaticano, e pedir que seja aplicado no Brasil, disse o presidente da CNBB. Segundo ele, para que a reforma agrária se consolide, é necessário um grande consenso entre o governo e a sociedade.


