Igreja protesta contra truculência da PM
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de setembro de 1998
Luciane Tonon 
Cerca de 80 moradores de Sapopema (132 km ao sul de Cornélio Procópio) sairam em passeata ontem à tarde em protesto pela prisão do padre Clóvis Almeida, 27 anos, na sexta-feira, durante reintegração de posse na Fazenda Cachoeira, em Sapopema, pela Polícia Militar do Paraná. A manifestação foi também em solidariedade aos oito trabalhadores rurais sem terra que permanecem detidos na Delegacia de Curiúva desde a sexta-feira. Chovia muito durante a passeata e os participantes se protegeram com guarda-chuvas.
Segundo o pároco Osvaldo Bachega, de Sapopema, o padre Clóvis Almeida, que estava no acampamento dos sem-terra para dar assistência a uma senhora doente, foi detido em cela comum apesar de ser sacerdote. Bachega disse ainda que os policiais militares não ouviram as explicações do padre sobre o que fazia no local. No momento da prisão, padre Almeida transportava em seu carro três sem-terra que pediram carona.
Enquanto marginais andam soltos, pessoas humildes e trabalhadores que querem defender o pão estão trancados numa cela, gritavam os participantes da passeata. Depois de um trajeto de cerca de mil metros, da Igreja Matriz até o ginásio de esportes de Sapopema, onde estão abrigadas as famílias retiradas do acampamento da Fazenda Cachoeira, o grupo retornou para ao ponto de partida onde foi celebrada uma missa.
No ginásio de esportes, o clima entre os sem-terra é de espera. Só queremos que esta situação se resolva logo. Não podemos ficar vivendo de doações, disse Lazir dos Santos, 31 anos. Ele afirmou que, junto com os oito sem-terras presos, estavam duas espingardas e ferramentas de trabalho. O menor R.D.C, 16 anos, que também foi preso, disse que o grupo foi algemado e teve que ficar por quase cinco horas deitado no barro, antes de ser levado para a delegacia de Curiúva. Ninguém reagiu. Entregaram as armas em paz, mas tivemos tratamento de cão, lembrou R.D.C..


