Igreja prega inclusão social de deficientes físicos
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quarta-feira, 07 de dezembro de 2005
Leonencio Nossa<br>Agência Estado 
Brasília- A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou ontem o texto-base da Campanha da Fraternidade de 2006 sobre os problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência. Na 42edição, a campanha discutirá formas de inclusão de 25 milhões de brasileiros com deficiência, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2002, na rede educacional e no mercado de trabalho. O texto não inclui um tema que causa polêmica na Igreja: as pesquisas com células-tronco.
''Fraternidade e Pessoa com Deficiência'' será lançada pelas comunidades e dioceses com uma mensagem do papa Bento XVI na Quarta-Feira de Cinzas do próximo ano, gravada no Vaticano, que será divulgada no Brasil. Uma cópia do texto da campanha foi enviado à Santa Sé, para a preparação da mensagem que será lida pelo Papa. I dealizada em setembro de 2004, num encontro em Trindade, Goiás, a campanha foi discutida por representantes de 38 instituições que atendem a pessoas deficientes. Na fase final, nove pessoas concluíram o texto.
O secretário executivo da campanha, padre José Carlos Toffoli, explicou que a questão das pesquisas com células-tronco está sendo discutido em outros fóruns e linhas de ação da Igreja. Grupos de pessoas com deficiência criticam a posição contrária do clero a uma legislação que permite o desenvolvimento com células-tronco. ''A campanha aborda o problema das pessoas que estão excluídas da sociedade'', disse. ''Nós, a sociedade, é que incapacitamos as pessoas com deficiência.''
O texto-base conta com um objetivo geral, que é a inclusão dos deficientes, e seis pontos específicos. A campanha propõe debates sobre políticas públicas, preconceito, evangelização e deficiência, denúncias contra a exclusão, conhecimento da realidade de vida do deficiente e ações para garantir espaço aos deficientes na escola e no mercado de trabalho. O texto-base será vendido em formato de livro nas livrarias católicas.
Representante da ONG Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes, Francisco Cerignoni foi um dos envolvidos na elaboração do texto-base. Cerignoni, que foi vítima da pólio, afirma que a campanha pretende dar um recado especialmente para os próprios deficientes. ''Temos talento e valor que precisam ser reconhecidos'', diz.
Os problemas dos deficientes já foram abordados nas ''entrelinhas'' de outras campanhas, como a do Idoso, em 2003. Em 1978, a CNBB lançou, por exemplo, a campanha ''Trabalho e Justiça no Mundo do Trabalho'', que discutiu a dificuldade das pessoas buscarem emprego. A primeira edição da campanha, em 1964, ''Igreja e Renovação'', debateu questões internas da igreja. A partir de 1985, as campanhas passaram a discutir problemas existenciais, como a fome.


