Londrina - Desde que o Brasil foi escolhido como sede da 28ª edição da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que acontece nesta semana, de 23 a 28 de julho, no Rio de Janeiro, adolescentes e jovens passaram a ter participação mais efetiva na Igreja Católica do País. Esta presença, segundo os próprios jovens, não se resumiu às missas, mas ocorreu principalmente na organização de movimentos específicos, como a criação ou a retomada de grupos para juventude nas paróquias, trabalhos pastorais e até maior presença na liturgia e animação das celebrações.
"Desde que começou a peregrinação dos ícones da Jornada Mundial – que já passaram por Londrina –, a Igreja entendeu que com a vinda do papa ela poderá rejuvenescer o seu trabalho", confirma o coordenador-geral do clero na Arquidiocese de Londrina, padre Joel Ribeiro Medeiros. Contudo, a preocupação dos religiosos vai além do megaevento no Rio de Janeiro.
Classificada de pós-JMJ, a fase seguinte já está sendo planejada. Tanto que a Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) agendou para o final deste ano um Encontro Nacional de Revitalização para identificar quais avanços ocorreram na evangelização com os jovens.
Na CNBB, entidade máxima da Igreja Católica no País, o entendimento é de que as mudanças competem não apenas às ovelhas, mas também aos pastores. Embora cuidadoso, evitando pontuar eventuais falhas no diálogo com o rebanho, o presidente da CNBB e arcebispo de Aparecida (SP), d. Raymundo Damasceno, reconheceu, em entrevista à FOLHA, que à Igreja falta escutar o jovem. "Precisamos acolher o jovem em nossa comunidade, valorizá-lo. Ele tem a sua psicologia própria e o dinamismo próprio da idade e muitas vezes temos a tendência de não acreditar tanto no jovem. Isso precisa ser mudado em nossas comunidades."
Para Damasceno, "as palavras do papa vão nos ajudar a pensar e melhorar a pastoral da juventude em nossa Igreja".
Em Londrina, onde o Setor Juventude contabiliza cerca de 4,5 mil cadastros, distribuídos em 77 paróquias, recentemente foi realizado um grande encontro preparatório com assessores do Setor Juventude nacional para que os padres pudessem buscar melhores caminhos para o contato com os novos fiéis.
"Eu e outros padres com mais de 20 anos de sacerdócio fomos formados num momento social muito diferente. Hoje temos essa propagação dos meios de comunicação e a juventude conectada, então precisamos nos adaptar. Neste caminho (de mudanças), o clero já está", comenta o padre Joel.
O coordenador-geral do clero londrinense revelou que estão sendo organizados grupos na Arquidiocese para a divulgação do Lectionautas, com o objetivo de valorizar um dos meios de comunicação mais utilizados pelos jovens: a internet. "Já é um movimento grande no Brasil. São aqueles que escutam, meditam, fazem as orações, mas pela internet. É um movimento novo, mas acredito que vai crescer muito, porque é a nova forma de evangelização", explica o padre.
Em âmbito nacional, o projeto Lectionautas é coordenado pela CNBB, em parceria com a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), disseminando pela internet a leitura, meditação, oração e contemplação. Padre Joel buscou nos ensinamentos de Jesus Cristo a justificativa para a investida da Igreja nos meios virtuais. "Tem aquele texto bíblico em que Jesus diz: publicai nos telhados. Se fosse hoje, ele diria para que se publicasse no Facebook, no Twitter, no Ipad e assim por diante."

O outro lado
O coordenador de eventos do Setor Juventude da Arquidiocese de Londrina, William Rodrigues Araújo, também aposta nos frutos da JMJ. "Desde o ano passado estamos trabalhando para que essa mensagem que nós, jovens, vamos receber na Jornada Mundial não se perca depois", comenta.
Ele revela que estão programadas diversas atividades com os jovens da região no segundo semestre, como uma missão na cidade de Tamarana (Região Metropolitana de Londrina), além do Londrina Conect, repetindo evento católico já realizado na Arquidiocese e que teve boa participação dos mais novos. Questionado sobre a pouca presença de jovens nas missas, Araújo afirmou que a tendência é que haja um aumento na participação, mas ressaltou que é preciso ir além das celebrações litúrgicas. "O jovem não é parado, trabalha, faz faculdade e pode se santificar, evangelizar onde ele está, com quem está ao redor dele. A missa é fundamental, mas não é só participando da missa que ele vai conseguir tudo isso."
O entendimento de William encontra apoio no assessor do Setor Juventude, padre Marcelo Gomes. Segundo o sacerdote, "percebemos mais jovens na Igreja, mas não é só isso". "A nossa preocupação não pode ser a quantidade, mas a qualidade. Queremos quem possa dar testemunho de Jesus Cristo na sua vida, em todos os momentos."
Com as malas prontas para embarcar para o Rio de Janeiro, padre Marcelo, que não dispensa o uso do traje específico do clero no dia a dia, defende a proximidade para cativar os novos fiéis. "O jovem se aproxima mais da Igreja, quando sente que ela é um ponto firme. Para se comunicar com ele não é preciso forçar o jeito de ser, como se vestir desse ou daquele jeito. A linguagem com o jovem é estar próximo a ele."

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