A Diocese de Apucarana não reconhece oficialmente as aparições de Nossa Senhora no Recanto Nossa Senhora de Lourdes e também pede que não se dê caráter oficial às celebrações no local. O bispo dom Celso Antônio Marchiori constituiu uma comissão de especialistas em teologia, direito canônico, psicologia e pastoral para estudar a manifestação religiosa.
Em entrevista à FOLHA, ele diz que ''a Igreja não reconhece a maioria das supostas aparições'' porque existem ''enganos'' em torno do assunto.
Quais os critérios para a Igreja reconhecer oficialmente uma aparição de Nossa Senhora?
A Igreja é bastante criteriosa para reconhecer uma ''aparição''. Ela parte sempre do fenômeno da fé, em torno da qual se reúnem pessoas para rezar, ouvir e meditar a Palavra de Deus e por práticas normalmente bastante devocionais. Quanto aos possíveis fenômenos das aparições e os supostos videntes, faz-se sempre uma séria, profunda e longa avaliação de saúde física e mental até a avaliação da postura destes em relação à Sagrada Escritura, a doutrina e a tradição da Igreja. A maioria das supostas aparições não são reconhecidas oficialmente pela Igreja.
No caso de Apucarana, há possibilidade de a Igreja reconhecer este fenômeno?
Depende de como continuará se manifestando o fenômeno que, em princípio, não passa de um fenômeno de devoção popular em torno de Nossa Senhora que tem reunido muitas pessoas para rezar. O que se observa com certeza é toda a seriedade e respeito com que a Igreja se relaciona com tudo aquilo que faz parte da fé do povo de Deus. Não há motivo para precipitar qualquer decisão.
Como o senhor analisa o crescimento desse tipo de manifestação religiosa em vários lugares do mundo nos últimos anos?
Como um fenômeno que expressa a forte religiosidade do ser humano e a grande sede que todos têm por Deus. Vivemos num mundo inseguro, frustrante e que esvazia a vida das pessoas. A Igreja está consciente desta situação e oferece a todos os meios para uma vida na graça de Deus, onde podemos encontrar o caminho, a verdade e a vida, que é Jesus. Quero que as pessoas entendam que não estamos brincando e nem ignorando um assunto tão sério que é a religiosidade popular e o coração humano sempre insatisfeito e desejoso de experimentar Deus. Mas não podemos ignorar também que existem enganos. Por isso, a Igreja é muito prudente. (E.A.)

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