Igreja não pode impedir uso de hit católico no carnaval, diz bispo
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 02 (AE) - O bispo de Santo Amaro (SP), dom Fernando Figueiredo, afirmou hoje que a Igreja não pode impedir o uso de um dos maiores sucessos do padre Marcelo Rossi, a música "Erguei as Mãos", como "aquecimento" da bateria do Salgueiro no desfile das escolas de samba do Rio. Superior eclesiástico do padre Marcelo, o bispo explicou que a canção não faz parte da liturgia da missa, mas de uma confraternização informal após a Eucaristia - a famosa "aeróbica do Senhor" comandada pelo padre -, e, portanto, não caberia um protesto formal da Igreja.
"Eu gostaria que a música fosse usada apenas para o propósito que foi criada, o de evangelização e não sei se essa finalidade será realizada desta forma", ponderou, no entanto, dom Fernando que participou do primeiro dia do 9º Curso para Bispos, promovido pela Arquidiocese do Rio.
O CD do padre Marcelo Rossi já está sendo usado por trios elétricos na Bahia e o hit "Erguei as Mãos" estourou nos ensaios na quadra do Salgueiro, o que levou o presidente da escola, Paulo César Mangano, a anunciar que pretende usar a música na concentração, no Sambódromo, para esquentar a bateria antes do desfile.
Mas a ameaça de ver versos católicos entoados na maior festa profana do País não diminuiu o apoio que o bispo dá ao padre Marcelo. "A música dele tem finalidade pastoral e atende ao desejo de levar a um relacionamento mais íntimo e pessoal com Deus", afirmou. O sucesso de jovens religiosos, comunicadores de massa, como, além do padre Marcelo, os cariocas padre Zeca e padre Jorjão, que utilizam as mesmas armas musicais já consagradas pelos evangélicos pentecostais, é, para o bispo, a continuidade do que a Igreja Católica já pregava séculos atrás. "O canto gregoriano foi criado assim e Santo Agostinho já dizia que, quem canta, reza duas vezes", argumentou. Evangelização - A opinião de dom Fernando, conhecido por sua simpatia pelo movimento de Renovação Carismática do qual o padre Marcelo é, hoje, um dos mais destacados líderes, é compartilhada pelo arcebispo de Diamantina (MG), dom Paulo Lopes de Farias, um representante da ala conservadora. "A nova evangelização proposta pelo papa João Paulo II deve acontecer com novo ardor, novos métodos, e esses padres fazem a mensagem chegar onde habitualmente não estava chegando", apontou.
Para ele, mais do que arrebanhar fiéis, religiosos como o padre Marcelo estão promovendo o engajamento dos chamados católicos não-praticantes. "As pessoas batizadas na Igreja Católica, mas que não se engajam, ficam mais vulneráveis para as seitas", analisou o arcebispo. O papel da Renovação Carismática no contra-ataque ao crescimento evangélico é reconhecido por dom Paulo. "O movimento abriu espaços na Igreja", disse. Mas ressaltou: as autoridades eclesiásticas devem acompanhar de perto os passos dos carismáticos.
"Não há restrição teológica, mas de coordenação, porque movimentos como esse correm o risco de desvirtuamento", alertou.


