Igreja libera consumo de frango em Fortaleza na Semana Santa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de março de 1999
Por Alda do Amaral Rocha 
São Paulo, 23 (AE) - A arquidiocese da Igreja Católica em Fortaleza decidiu não proibir o consumo de carne de frango durante a Quaresma no Ceará, período em que parte dos católicos prefere se alimentar de peixe, depois que a Associação Cearense de Avicultura enviou, no fim de fevereiro, ofício ao administrador apostólico, monsenhor Antonio Souto, solicitando um pronunciamento sobre a questão. De acordo com a associação, o religioso não se manifestou oficialmente sobre o assunto, mas durante entrevista a uma rede de tevê local afirmou que o código canônico não proíbe o consumo de carne no período e sugeriu que o fiel pode fazer algum tipo de penitência em substituição, como doações e orações.
O que motivou a solicitação da Aceave foi o aumento do preço do peixe no Estado em função da Quaresma, o que tornou o produto inacessível para pessoas de baixa renda. Como os preços do frango são inferiores aos do peixe, a Aceave defendeu que o consumo da ave fosse permitido na Quaresma católica. No Estado, o peixe custa cerca de R$ 5,00 o quilo e o frango, entre R$ 1,70 e R$ 1,90 o quilo no varejo, segundo a Aceave.
A expectativa da associação é de que a "liberação" do consumo de frango por parte da Igreja comece a surtir efeito no mercado à medida em que for se aproximando a Semana Santa. Atualmente, os preços do frango vivo no Estado estão cotados a R$ 1,15 o quilo, depois de terem atingido R$ 1,25 há três semanas. No Ceará, o abate do frango vivo é feito por pequenos frigoríficos, mas o produto não é industrializado.
Para a Associação Brasileira dos Produtores de Pinto de Corte, além do "efeito Quaresma", que deprime os preços no Nordeste, o desequilíbrio entre oferta e a demanda de frango também contribui para a queda das cotações. Segundo a Apinco, o alojamento de pintos de corte da região aumentou 27,16% em janeiro passado, passando para 23,3 milhões de unidades.


