São Paulo, 03 (AE) - Sob uma garoa tipicamente paulistana, o arcebispo de São Paulo, d. Claudio Hummes, lançou hoje a campanha "Associe sua marca a este marco". Num ato evocativo, realizado no palco montado nas escadarias da Catedral
ele conclamou os empresários e a sociedade de São Paulo a financiarem as obras de recuperação e conclusão da Catedral da Sé, cujo valor estimado é de R$ 16,7 milhões. Após dar sua benção ao início das obras - que serão concluídas em dois anos -
o arcebispo disse que espera reabrir parte da igreja até o dia 12, em homenagem a Nossa Aparecida, Padroeira do Brasil.
"Não haverá festividades relativas à data, pois serão liberados os corredores laterais e a cúpula central, para onde foi transferido o altar, que têm capacidade para apenas 400 pessoas", explicou d. Hummes. Até lá, as missas estão sendo celebradas na Igreja da nossa Senhora da Consolação.
A Petroquímica União, de Santo André, foi a primeira a contribuir, com R$ 167 mil, 10% do valor que a FormArte, empresa especializada na captação e administração de projetos de restauro, pretende arrecadar na primeira fase da campanha.
A diretora-presidente da FormArte, Rosana Delellis, acredita que conseguirá esses recursos nos próximos 15 dias. "Nesta semana será aberta uma conta para contribuições de pessoas físicas", disse.
Pelo menos R$ 100 mil serão destinados pelo Ministério da Cultura, informou o ministro Francisco Welfort. "Não é muito
mas servirá de incentivo para que a campanha possa deslanchar"
disse. O projeto conta ainda com o apoio do Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet, pela qual as empresas patrocinadoras poderão obter deduções de até 4% do Imposto de Renda, de acordo com as parcelas investidas na obra.
O governador Mário Covas garantiu que o governo estadual também participará da campanha, por meio de empresas como a Sabesp e a Cesp. "São Paulo arrecada mais de R$ 20 bilhões em Imposto de Renda, quase a metade do País, nada mais justo que os empresários façam suas doações, deduzindo-as depois do imposto"
afirmou.
Obras - O arquiteto Alessandro Pompei, da Concrejacto, informou que parte da Catedral já poderia ter sido liberada em setembro, pois as obras de proteção já foram concluídas. "Mas os técnicos estão monitorando durante 24 horas as trincas e fissuras e verificando se há acomodação da estrutura e em que nível", explicou. Nesta semana será enviado o laudo ao Contru para a liberação.
"Faremos uma vistoria rápida e confirmando-se a descarecterização de risco nós liberaremos em seguida", disse o engenheiro Carlos Alberto Venturelli, diretor do Contru. Além da recuperação e reforço estrutural, será concluída a construção das 14 torres (sete de cada lado) da Catedral. A igreja foi inaugurada em 1954, sem nenhuma das 16 torres. Cinco anos depois
foram construídas apenas duas.
"Pelo buracos onde deveriam existir as torres é que ocorreu a infiltração de água, uma das causas da deteriorização da estrutura", disse Pompei.

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