Arquivo FolhaCofre vazioJoão Paulo II: Igreja sem dinheiro para financiar sua viagemRIO - No momento em que católicos de todo mundo discutem nas dioceses o papel da família na sociedade, tema da visita do Papa João Paulo II ao Brasil, a Arquidiocese do Rio se vê empenhada em uma tarefa difícil e não menos importante. Ela precisa arrecadar pelo menos R$ 3 milhões para organizar o encontro do Papa com as famílias no Rio, em outubro. A maior parte do dinheiro será usada para a produção de dois grandes eventos, uma festa que reunirá 120 mil convidados e a missa no Aterro do Flamengo, que deve contar com a presença de 1,5 milhão de fiéis.
A cruzada para arrecadar os recursos começa amanhã, quando integrantes de uma comissão financeira passarão a manter contato com empresas privadas e estatais. A idéia é reunir grandes empresas como a Nestlé, Xerox, IBM, Petrobrás, Banco do Brasil, Correios e Caixa Econômica Federal (CEF), para serem patrocinadoras do evento religioso. Para conseguir parte dos R$ 3 milhões necessários para a visita, a Arquidiocese também vai vender os direitos de transmissão para as redes de televisão dos dois encontros.
O cardeal-arcebispo do Rio, dom Eugenio Sales, reuniu em uma comissão de finanças desde o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, ao ministro da Indústria e Comércio, Francisco Dornelles, para conseguir sensibilizar os grandes grupos financeiros. O arcebispo auxiliar da Arquidiocese, dom Rafael Llano Cifuentes, que assessora dom Eugenio no trabalho dos preparativos da viagem do pontífice, explica que sem a compreensão dos empresários não se conseguirá fazer uma bela festa.
Nos planos da cúria metropolitana do Rio está conseguir, além dos milhões para a chegada do líder religioso, a comprensão dos moradores do Rio para que abriguem gratuitamente em suas casas as famílias que participarão do encontro.
Segundo dom Rafael, serão necessários 15 mil lares para a hospedagem dos fiéis que virão de várias partes do País e do mundo. ‘‘Sabemos que pessoas de todas as classes sociais abriram poupanças para conseguir chegar ao Rio e a maioria não terá dinheiro para a hospedagem’’. ‘‘Queremos a solidariedade dos cristãos, pois a Igreja não terá recursos para pagar as estadias na cidade de quase 25 mil pessoas de outros Estados e países’’.
CasamentosNo ano em que o Papa João Paulo II vem ao País para reforçar a importância da família, a Igreja Católica no Brasil está tendo de desmistificar um assunto que era considerado um tabu: as anulações de casamentos nos Tribunais Eclesiásticos - fórum judicial. Casos de adultério, homossexualismo e desrespeito dos casais às leis gerais do matrimônio são razões para os tribunais declararem que as uniões celebradas na Igreja não foram válidas.
Mais informados e estimulados por padres de milhares de paróquias, mulheres e homens se vêem aliviados ao saber que até mesmo os casamentos celebrados pela Igreja Católica podem ser dissolvidos. ‘‘O nosso trabalho justamente é acabar com a angústia das pessoas que foram envolvidas em uma união mal constituída’’, disse o vice-presidente do Tribunal Eclesiástico do Rio (TE-RJ), padre Antônio Carlos Barra.
Ele explicou que, de acordo com o direito canônico, matrimônios em que estão presentes elementos como o homossexualismo, o adultério, impotência, falta de condições para assumir as responsabilidades da união, financeiras e psicológicas, podem ser declarados nulos depois de processos que são abertos nos tribunais.
No ano passado, 35 processos foram julgados no tribunal, dos quais 14 eram sentenças que declaravam nulos os matrimônios. Segundo o padre Barra, a cada ano aumenta o número de pessoas que procuram o fórum reclamando de seus cônjuges e pedindo que a união deixe de ser válida.

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